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Vitrola dos Sousa

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Memória

Série Pesquisa: As mais tocadas no Brasil 2. A década de 1930

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Dircinha Batista em 1939

A minha geração e em certo grau, também a nova, estamos acostumados a pensar na década de ouro da música popular brasileira (MPB) como situada entre o final dos anos 1960 e o final dos 1970. Mas, será mesmo que esta década foi a melhor da MPB ? Começo a desconfiar. Quando me dispus a pesquisar, ancorado na pesquisa anterior do site Mais Tocadas, outras seleções, separadas por décadas, fui surpreendido. Nada que já não soubéssemos, mas quando colocadas em conjunto, as canções da década de 1930 constituem a verdadeira base para o que escutamos hoje e para a própria década de 1970 (o que, para sermos justos, sempre foi reconhecido por aquela “nova” geração). Convido-os a escutar esta primorosa seleção musical, incluindo essenciais como Pixinguinha, Noel Rosa, Ary Barroso, Lupicínio, Lamartine Babo, Braguinha, Vicente Celestino entre outros, aqui apresentada em versões atualizadas, o que sem dúvida ajuda a trazer estas belíssimas canções para um contexto mais atual, facilitando a sua degustação.

São 45 sucessos:

  1. Minha Palhoça – Silvio Caldas (1935)
  2. O que é que a bahiana tem – Dorival Caymmi (1939)
  3. Tahi – Pra você gostar de mim – Joubert de Carvalho (1930)
  4. As Pastorinhas – Braguinha (1938)
  5. Cidade Maravilhosa – André F ilho (1934)
  6. O Teu Cabelo Não Nega – Lamartine Babo, João e Raul Valença (1932)
  7. Carinhoso – Pixinguinha, João de Barro (1917 e 1937)
  8. Tico Tico no Fubá – Zequinha de Abreu (1917 e 1931)
  9. Pierrot Apaixonado – Joel e Gaucho (1936)
  10. Linda Morena – Lamartine Babo (1933)
  11. Sonho de Papel – Alberto Ribeiro (1935)
  12. Camisa Amarela – Ary Barroso (1939)
  13. Na Pavuna – Almirante (1930)
  14. Camisa Listrada – Assis Valente )1938)
  15. Na Batucada da Vida – Ary Barroso (1934)
  16. Maringá – Joubert de Carvalho (1932
  17. Chão de Estrelas – Silvio Caldas (1937)
  18. Se Você Jurar – Ismael Silva (1931)
  19. O Ébrio – Vicente Celestino (1936)
  20. O Orvalho Vem Caindo – Noel Rosa (1933)
  21. Meu Moreno – Hervé Cordovil (1935)
  22. A Jardineira –  Humberto Porto, Benedito Lacerda (1938)
  23. Se Acaso Você Chegasse – Lupicínio Rodrigues (1938)
  24. Agora é Cinza – Bide e Marçal (1934)
  25. Para Me Livrar do Mal – Noel Rosa (1932)
  26. De Papo pro Ar – Joubert de Carvalho (1931)
  27. Mágoas de Caboclo – Leonel Azevedo, J.Cascata (1936)
  28. Não tem Tradução – Noel Rosa (1933)
  29. No Rancho Fundo – Ary Barroso, Lamartine Babo (1939)
  30. Na Baixa do Sapateiro – Ary Barroso (1938)
  31. Andorinha Preta – Breno Ferreira (1932)
  32. Com que Roupa – Noel Rosa (1931)
  33. No Tabuleiro da Bahiana – Ary Barroso (1936)
  34. Feitiço da Vila – Noel Rosa (1935)
  35. Aquarela do Brasil – Ary Barroso (1939)
  36. Touradas em Madrid – Braguinha (1938)
  37. Lábios que Beijei – Leonel Azevedo, J.Cascata (1937)
  38. Deusa da Minha Rua – Newton Teixeira, Jorge Faraj (1939)
  39. Singing in the Rain – Arthur Freed e  Nacio Herb Brown (1929)
  40. Yes Nós Temos Banana – Braguinha (1939)
  41. Não Tenho Lágrimas –  Maximiliano Bulhões e Milton de Oliveira (1937)
  42. Rosa – Pixinguinha, Otávio de Souza (1937)
  43. Bola Preta – Jacob do bandolim ? (1938)
  44. The Peanut Vendor – Moises Simons (1930)
  45. Faceira – Ary Barroso (1931)

Série Pesquisa: As mais tocadas no Brasil 1. Década de 1920

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Iniciamos mais uma série:  As mais tocadas no Brasil. A pergunta básica é : quanto uma música lançada há quase um século ainda embala os nossos saraus, colore ou faz pano de fundo a vários de nossos momentos atuais ?

Começamos com a década 1920-1930. Nenhum de nós era provavelmente nascido, mas garanto que das 30 canções selecionadas todo mundo conhece pelo menos umas 5. Não coloquei as gravações originais, mas deixo um link par quem quiser ouvi-las no site : Mais tocadas

Nossa seleção: em Playlist do Spotfy

Memória: George Martin

George Henry Martin (Londres, 3 de janeiro de 1926 – Londres, 8 de março de 2016)

Mais um que nos deixou. Faleceu ontem  o quinto Beatle, George Martin, aos 90 anos. Quem teriam sido os Beatles sem Martin ? Difícil responder, no entanto, ele não só descobriu o grupo – apesar de, na época, dizer que o grupo “não era muito bom” – como teve papel fundamental no acabamento das músicas do grupo.

Ele produziu mais de 700 álbuns ao longo de sua carreira de cinco décadas. Seu conhecimento técnico e gosto pela experimentação permitiram que produzisse sons inovadores com equipamentos que músicos modernos considerariam primitivos.

Ele também trabalhou com artistas como Dire Straits, Celine Dion, Sting e os Rolling Stones. (BBC Brasil)

George Martin and his Orchestra

Memória: Naná Vasconcelos

Juvenal de Holanda Vasconcelos, mais conhecido como Naná Vasconcelos (Recife, 2 de agosto de 1944 — Recife, 9 de março de 2016)

Este ano está difícil. Estamos ainda apenas no início de março e lá se vai outra lenda da música. Faleceu Naná Vasconcelos, um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos, vítima de câncer do pulmão. Naná era um música de fama mundial, ganhador de 8 Grammys e escolhido também oito vezes como melhor percussionista pela respeitada revista de jazz Downbeat . Naná era extremamente eclético e transitava com facilidade entre os vários estilos musicais, tendo trabalhado com vários nomes importantes da música mundial. Um dos seus últimos trabalhos foi a trilha sonora  de “O Menino e o Mundo”, animação brasileira de Alê Abreu indicada ao Oscar deste ano.

VEJA NANÁ TRABALHANDO NA TRILHA SONORA:

Mais um pouquinho da música de Naná:

Homenagem: Como não falar de B.B.King ? – B.B.King em BH

Realmente, embora fosse esperada, a morte de B.B.King nos entristece a todos. Só assisti B.B. King ao vivo uma vez, mas a ocasião foi muito especial. Não bastasse ele já ser uma lenda do Blues, tive a oportunidade de vê-lo tocando com sessenta anos de idade, em pleno auge de sua forma, num show de mais de duas horas, aqui mesmo em Belo Horizonte. É verdade. B.B King tocou duas vezes na capital mineira – a primeira, a que refiro, no Palácio das Artes, em 1986 e depois a segunda. em 1995, no Minascentro. O show que assisti pode ser considerado um dos grandes momentos musicais da minha vida como espectador de concertos e shows musicais. B.B. King esbanjou simpatia e competência ressaltada pela belíssima acústica do Palácio das Artes. Fica para sempre na minha memória o Rei do Blues atirando palhetas de guitarra e humildemente se abaixando para tocar a mão de seus inúmeros fãs, por mais de quinze após o final do show, enquanto seu conjunto tocava.B.B. King não morreu porque ele é eterno. Abaixo B.B. exibe seus dotes como cantor:

Memória: À eterna rádio Guarani FM de Belo Horizonte

Este comentário foi feito pelo nosso leitor Marcus Vinicius. Tomei a liberdade de publicá-lo, porque acho que todos deveriam lê-lo:

“À eterna rádio Guarani FM de Belo Horizonte

Hoje é 1º de maio e o feriado está cinza. Estou ouvindo Elis Regina, Chico Buarque, “The Doors” por MP3, e tentando aceitar a realidade. Perdemos muito ontem. Não somente uma ótima rádio que entendia de música de verdade. Perdemos cultura, perdemos voz, perdemos representação e perdemos como sociedade de uma forma geral. Espero que recuperemos…

Só ontem eu percebi o quanto essa rádio era importante, enquanto ouvia as últimas horas de sua programação. Foi como se um amigo estivesse partindo lentamente e só me restasse aproveitar cada segundo final. Ouvir os últimos 3 minutos (ouça no youtube) com nosso queridíssimo Luiz Fernando Freitas encerrando o “Noite no ar” com “The end / The Doors” me fez chorar como não fazia há anos, talvez desde a minha infância. Só aí me lembrei que a escutava há cerca de 20 anos (desde que comecei a ouvir rádio) e que ela esteve presente em muitos momentos bons da minha vida. Sempre que eu ligava o rádio, ele já estava sintonizado na 96,5 FM. Onde mais eu poderia escutar MPB de qualidade, Rock do bom, samba, música clássica, jazz, tudo isso salpicado com o melhor da Beatlemania??! A constatação de que isso realmente acabaria me deixou inconsolável. Espero que passe…

Esse contexto me fez pensar em quantos cinemas, teatros e rádios já perdemos para as religiões do capitalismo. Não sou ateu, mas também não tenho “carteirinha” de religião nenhuma. Me assusta a ideia fanática de delegar as decisões da minha vida a alguém, seja ele padre, pastor, médico ou qualquer outra coisa. Isso exige um nível de confiança alto demais, especialmente pros dias de hoje. Basta olhar a história da humanidade para ver o quanto as religiões provocaram guerras e manipulações de acordo com seus próprios interesses. Tendo isso em vista, procuro aprender o que elas ensinam de bom (e nessa parte todas dizem praticamente a mesma coisa: você colhe o que planta, faça o bem, ame o próximo, etc.) e tento não pensar nas coisas ruins que cada uma já fez. Mas, quando elas destroem justamente nosso patrimônio cultural, usando a força do dinheiro profano, o que era apenas antipatia se torna revolta. Espero que passe…

Na minha opinião, se religião é o que te religa a Deus, então a música é o caminho onde eu encontro isso com maior autenticidade. O silêncio que ficou após as 2 últimas horas do programa “Kacophonia” foi muito pesado, e chegou a doer lá no fundo com uma sensação de que não há mais espaço para o que é realmente bom nesse mundo. A ausência da Guarani essa manhã confirmou o quanto ela é insubstituível. Espero que voltem…”

Ps: No link abaixo está a despedida com os últimos 3 minutos da rádio ao vivo, com “The End” do The Doors. Muito bonito”

Memória: SEMPRE NO MEU CORAÇÃO – ANÍSIO SILVA

Hoje fui ao Palácio das Artes aqui em BH assistir uma deliciosa peça, escrita e dirigida por Odilon Wagner, e magistralmente interpretada por um time de atores veteranos, capitaneados por Laura Cardoso (87 anos) e Nívea Maria (68 anos). Recomendo, que se tiverem oportunidade, assistam. Mas, como nosso assunto aqui é música, a peça termina com uma interpretação ao vivo de Sempre no meu coração, sucesso no início dos anos 60, com o romântico Anísio Silva. Esta música é importante para mim, porque me lembra de minha infância, em Ponte Nova, e de minha mãe, sempre de vitrolinha ligada, onde os discos de Anísio Silva eram presença constante. Foi uma viagem no tempo. Vamos?

Memórias: John e sua mãe.

john lennon mae

 

Em meu último post no Raras Ideias comentei sobre o filme Nowhere Boy , que trata especialmente da relação de John Lennon com sua tia Mimi e sua mãe Júlia. Deu vontade de escutar, neste contexto, duas obras-primas de John: a pungente Mother e a doce Julia. Vamos lá: assista em sequência…

Os Incríveis anos 70 – Capítulo V: Al Green

 As paradas musicais em meados de 1971-1976 eram, musicalmente falando, extremamente diversificadas e havia espaço numa mesma semana, entre os mais vendidos, para o rock (ex. Rolling Stones – Sticky Fingers -1971), para o country (ex. Jim Croce – Operator – 1972), para o pop brega (Dawn – Candida – 1971), para o pop suave, tipo balada (Bread – Baby I’m a want you -1971), country rock (Creedence – “Have You Ever Seen the Rain? -1971), para o blues (ex. Chuck Berry – My Ding a Ling – 1972), para o R&B (Diana Ross & Marvin Gaye – My Mistake (Was to Love You, 1973), para a dance music (KC & The Sunshine Band – That’s the Way I Like it – 1976), para o rock progressivo (Pink Floyd – Money – 1973). No meio de toda esta diversidade fiz outra grande “descoberta”nos anos setenta –  a soul music. E soul music tinha como seu maior representante o inigualável Al Green, sucessor direto de Sam Cooke, e que me foi apresentado com o maravilhoso álbum : Let’s Stay Together (1972). Neste álbum, além da faixa título, outra pérola:  How Can You Mend a Broken Heart? , dos Bee Gees. E a partir daí foi amor à primeira audição – fazem parte da trilha sonora desta parte importante da minha vida:  Tired of Being Alone (1971) , I’m Still in Love with You (1972), Look What You Done for Me (1972), You Ought to be with Me (1972), Call Me (Come Back Home) (1973), Sha-La-La (Make Me Happy) (1974), Livin’ for You (1974), L-O-V-E (Love) (1975), além de uma redescoberta, para mim o melhor disco de Green : Green Is Blues (1969), do qual falarei especialmente em outro post, pois foi o responsável por me apresentar uma série de outras canções memoráveis.

 

Mais tarde, após alguns graves incidentes: briga, com direito a ser queimado, com queimaduras de primeiro e segundo grau, pela namorada Mary Woodson, que se suicidou em seguida, utilizando-se da arma de Al  e  de um grave acidente no palco, em 1979, Al Green se tornou pastor e recuperou o sucesso e prestígio comercial apenas em 2003, com o lançamento de “I Can’t Stop”. Para entender a importância a Vitrola traz um show no Harlem, no Teatro Apollo, em 1990. Em que pese a pregação, que faz do show praticamente uma celebração religiosa, vale a pena assistir um cantor de soul em sua plenitude. O domínio de palco, da voz, a expressão corporal e a emoção são uma lição para quem acha que existe um grande cantor de soul em John Legend, Joss Stone  ou Bruno Mars. (Eles têm talento, mas falta a alma). Assista e comente.

Se não tiver paciência para assistir todo o show (pena…):

 

 

 

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