Ouvir Jazz: Post 5 – Ragtime

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Contemporâneo do blues, o ragtime influiu intensamente no desenvolvimento do  jazz inicial. Às vezes fica difícil separar jazz do ragtime, mas existem diferenças significativas.

“ As semelhanças entre os dois estilos relacionam-se principalmente às técnicas de teclado. No rag a mão esquerda faz o baixo pesado, enquanto a direita repete sincopações.”  (Ted Gioia)

O jazz se apropriou tanto das estruturas feitas com a mão direita no piano, quanto das usadas pela mão esquerda. Este modo de tocar influenciou toda uma geração de pianistas de jazz, sendo chamado de ragging ou ragged time.

 

Considera-se  como a primeira obra de ragtime publicada  “Mississippi Rag” (1897), composta por William Krell. Mais tarde, no mesmo ano, Tom Turpin se tornou o primeiro compositor negro a publicar uma composição de ragtime com seu trabalho “Harlem Rag“.

” St Louis Rag ” (1903) composed by TOM TURPIN, on a piano roll

O ragtime se tornou tão popular na virada do século (como o choro no Brasil), que os críticos musicais resolveram ataca-lo.  Na época, a  revista Metronome declarou: “Lamentamos pensar que alguém possa imaginar que o ragtime tenha a menor importância musical. É uma onda popular na direção errada”.

 

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Em meio a essa rápida disseminação de um novo estilo musical, o termo “rag” invariavelmente tornou-se usado em demasia, mal aplicado, muitas vezes sendo empregado para denotar uma ampla gama de expressões musicais afro-americanas. Muitas peças desse período usam a palavra “rag” em seu título, embora tenham pouca semelhança com o que veio a ser conhecido como estilo de rag “clássico”, assim como muitas das chamadas composições de “blues” se desviaram, consideravelmente, do padrão original.

 

Assim como o blues rural floresceu no Delta do Mississipi e o jazz em Nova Orleans, o ragtime chegou ao auge no Missouri, especialmente em Sedalia (capital do estado), Cartago e St.Louis.O movimento se deu largamente em torno de Scott Joplin que reuniu em torno de si um grupo de pianistas promissores, incluindo Scott Hayden e Arthur Marshall. Os três acabaram se mudando para St.Louis e junto com os compositores locais como Louis Chauvin, Tom Turpin e Artie Matthews fixaram o estilo.

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Música do Dia: Marina Lima – Só os Coxinhas (2018)

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Marina Lima está de disco novo: Novas Famílias, o primeiro desde 2011. Neste disco, muito divertido, ela volta a fazer parcerias com seu irmão Antônio Cícero. Aqui uma pequena amostra.

Música: Marina Lima e Antonio Cícero

Produção Musical: Marina Lima e João Brasil Concepção e

Direção Criativa: School/SS99, Rogerio Cavalcanti e Fujocka

Diretor de Fotografia: Rogério Cavalcanti e Fujocka Beleza: Cris Biato

Agradecimentos: Célia Maria dos Santos, Renata Cavalcanti e Sr. Luis do Bar Glutão e Vevo Agradecimento especial: Soubasico

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Lançamento: Badi Assad : livro ‘Volta ao Mundo em 80 Artistas’

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A dica é o laçamento do livro em que a violonista, compositora e cantora apresenta crônicas sobre 80 nomes da música. São artistas de todos os continentes que a influenciaram na vida e na carreira que já contabiliza cerca de 30 anos.Entre estes 80 artistas, oriundos de diversos cantos do mundo, há brasileiros como a cantora carioca Elza Soares, a cantora cearense Marlui Miranda, o cantor sul mato-grossense Ney Matogrosso e o músico fluminense Egberto Gismonti. Entre os nomes estrangeiros, há o inglês Sting, o violinista teuto-americano David Garrett, o irlandês Hozier, a cantora franco-tunisina Amina Annabi e a cantora canadense Sarah McLachlan.

E o melhor, Badi lançou no You Tube e no Spotfy a sua playlist. O Vitrola não poderia deixar de divulgá-las:

No SPOTFY:

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Ouvir Jazz – Post 4 – O jazz e o blues

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Impossível falar em jazz sem citar blues. Ambos surgiram como irmãos, lado a lado, num mesmo ambiente.

Como diz Greg Tivis : ” Por definição, o blues é tanto uma forma quanto um gênero musical, enquanto o jazz é definido como uma forma de arte musical. O blues refere-se tanto a um certo tipo de progressão de acordes, quanto a um gênero construído nessa forma. O jazz é muito mais difícil de definir porque seu alcance é amplo, abrangendo desde o ragtime do final do século 19 até a moderna música de fusão.

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Na verdade, ambos os estilos têm muito em comum. Ambos se originaram no sul dos EUA, nas comunidades afro-americanas, no final do século XIX. O blues originado das canções de trabalho, espirituais, cantos e gritos de campo.

Caracteriza-se por seus acordes em progressão, pelo uso de notas dobradas – as blue notes (em azul na escala) – suas letras tristes, melancólicas. A blue note provém das escalas usadas nas canções de trabalho, cantadas pelos escravos, geralmente como um tipo de lamento, uma queixa contra a dureza do trabalho nos campos. Do ponto de vista técnico, consiste em criar uma nota atípica à escala diatônica tradicional, transformando-a numa escala de blues.

Ambos os gêneros tornaram-se populares, chegaram às grandes cidades. Nos anos 1920 o blues começou a vender mais discos, caminhando rumo ao norte, especialmente em direção a Chicago, ao longo do tempo dando origem a diversos subgêneros como o country blues, o blues rock e até ao punk blues.

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O jazz, embora nascido nas mesmas comunidades e ao mesmo tempo, resultou como já vimos da combinação de música africana com a europeia, especialmente a partir de New Orleans. Caracteristicamente, em qualquer época, o jazz manteve esta capacidade de incorporar a música popular de sua época. Não foi diferente com o blues: a escala usada na maioria dos blues de 8 e 12 compassos, cedo passou a habitar o universo jazzístico

A crescente popularidade do jazz e do blues levou naturalmente à era das big bands. Centenas de orquestras de dança se espalharam por todos os EUA. Graças a eles, a América encontrou sua própria voz. Ao longo das décadas, os subgêneros se multiplicaram: dixieland, swing, bebop, jazz latino, acid jazz, fusões com o funk, progressivo, com hip hop. Hoje é difícil classificar o que é jazz ou blues. Tanto um quanto o outro constituiram-se em formas de arte puramente americanas, talvez a maior contribuição americana para a cultura mundial.

Uma pequena amostra do que vem por ai: escute porque vale a pena assistir todos os dois.

 

 

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Série : Ouvir Jazz – Post 3 – CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO JAZZ

A africanização da música nas Américas, trouxe consigo características marcantes, percebidas hoje em vários gêneros musicais (jazz,blues,rock,gospel,funk). Escravos africanos, exilados, tinham, na lembrança dos rituais tribais, a única forma de contato com a terra natal. Estes elementos, aos poucos fundiram-se à música europeia. Na música africana:

  • O cantor (ou líder espiritual) canta, chama a plateia para uma resposta em contracanto.
  • Música e dança correlacionam-se intimamente. Habitualmente, o africano, “entende” a música como ligada ao um tipo de dança (ritual)específico.
  • Introdução de instrumentos com o mesmo timbre da voz humana: tambores,mbira (uma série de dentes metálicos ou barras de metal arrancadas, montado sobre uma placa de som de madeira); tanbur (instrumentos feitos de madeira com pescoços longos e corpos de ressonância); conchas.
  • Uso de conchas, pedras, peles de animais, varas, armas, ferramentas, rodas, usados como tambores, chocalhos, raspadores, gongos, palhetas, placas de percussão e até o corpo humano (palmas especialmente), para marcar o ritmo.
  • Capacidade de construir várias camadas de padrões rítmicos resultando em polifonia percussiva. Na música americana, apreciada desde o ragtime, o bebop, até os ritmos do jazz de vanguarda.
  • Ligação ritmo, trabalho. A tradição africana enfatizava o trabalho árduo, ridicularizando a preguiça. Embora, oprimida, escravizada, os negros utilizavam a música, o ritmo para marcar o trabalho.
  • O blues, por outro lado,surgiu como forma alternativa, de lamentar fome, opressão, pobreza, saudade, desejo, sempre de maneira lúdica, sem auto piedade ou recriminações.

Com vários elementos comuns com a música americana e europeia mediterrânea, fica mais fácil entender a facilidade do jazz de fundir, ser amado e aceito mundialmente.

 

Um exemplo africano onde aparecem vários das tendências citadas acima já fundidas com elementos europeus:

Outro exemplo de percursão, polifonia e dança no jazz:

 

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Os 50 Melhores Álbuns Internacionais de 2017 – Seleção Vitrola dos Sousa

 

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Ufa ! Até que enfim um tempo para rever 2017. Na nossa opinião estes são 50 discos que valem a pena ouvir de novo, ou ouvir pela primeira vez, em 2018:

 

 

1) Greg Allman – Southern Blood : uma escolha sentimental devido à perda deste grande astro em 2017, mas um álbum excelente de despedida.

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2) Sampha – Process :mais uma surpresa do R & B britânico, o melhor do mundo, no momento. Ótimo exemplo.

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3) The xx  –  I See You –  Esta é uma banda Indie britânica, londrina, que tem tudo que me agrada no pop inglês.

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4) Paul Weller  –  A Kind of Revolution: Mais um veterano na lista (ex The Jam e Style Council) , Paul arrasou neste ano

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5) The War on the Drugs –  A Deeper Understanding : De volta aos melhores do ano,para mim esta é a melhor nova banda americana de rock da atualidade.

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6) Courtney Barnett & Kurt Vile – Lotta Sea Lice – Kurt acha um contraponto delicioso na voz e estilo da australiana Courtney. Delicioso

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7) The National – Sleep Well Beast – Alguém tinha alguma dúvida de que The National é uma das melhores bandas de hoje ?

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8) Father John Misty – Pure Comedy – Josh Tillman que usa o pseudônimo de Father John Misty trouxe neste seu terceiro álbum uma pequena joia.

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9) Aimee Mann – Mental Illness – Sou apaixonado por Aimee desde que ela era a lead-singer do ‘Til Tuesday nos anos 80. É a mais direta descendente da agridoce de Carly Simon.

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10) Kelela – Take me Apart – Disco de estreia desta americana. Promete…

  • 11) St.Vincent – Masseducation
  • 12) Kevin Morby – City Music
  • 13) Robert Plant – Carry Fire
  • 14) Juana Molina – Halo
  • 15) Hurray For The Riff Raff – The Navigator
  • 16) Sharon Jones & the Dap-Kings – Soul of a Woman
  • 17) Beck – Colors
  • 18) Fleet Foxes – Crack-Up
  • 19) Randy Newman – Dark Matter
  • 20) U2 – Songs of Experience
  • 21) Robyn Hitchcock – Robyn Hitchcock
  • 22) Songhoy Blues – Résistance
  • 23) Slowdive – Slowdive
  • 24) Foo Fighters – Concrete and Gold
  • 25) Liam Gallagher – As You Were
  • 26) Moses Sumney – Aromanticism
  • 27) Wolf Alice – Visions of a Life
  • 28) Bedouine – Bedouiene
  • 29) The Moonlandingz – Interplanetary Class Classics
  • 30) Thundercat – Drunk
  • 31) Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?
  • 32) Neil Young – Hitchhiker 
  • 33) Spoon – Hot Toughts
  • 34) Ryan Adams – Prisioner
  • 35) Paramore – After Laughter
  • 36) Sleaford Mods – English Tapas
  • 37) Jane Weaver – Modern Kosmology
  • 38) Oumou Sangaré – Mogoya
  • 39) Laura Marling – Semper Feminina
  • 40) Richard Dawson – Peasant
  • 41) Julie Byrne – Not Even Happiness
  • 42) Lana Del Rey – Lust for Life
  • 43) Julien Baker – Turn Out the Lights
  • 44) Lorde – Melodrama
  • 45) Arcade Fire – Everything Now
  • 46) Kaitlyn Aurelia Smith – The Kid
  • 47) Ryuichi Sakamoto async
  • 48) Chris Stapleton – From a Room: Volume 1
  • 49) Fever Ray – Plunge
  • 50) Mogwai  -Every Country’s Sun

 

 

 

 

 

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Lançamento: Boi Luzeiro : É o Boi/Folia dos Sertões (2018)

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No ano passado O Vitrola falou sobre um novo grupo – Boi Luzeiro –  que estava nascendo aqui em BH, com influência da cultura popular de diversas regiões do Brasil como, por exemplo, Folia de Reis, Maracatu de Baque Virado, Coco, Congo, Ciranda e Lavadeiras do norte de Minas.

A estréia do grupo se concretizou em março de 2017 no Centro Cultural da UFMG, através do projeto Música e Poesia.
Integrantes:

  • Militani de Souza (voz e violão)
  • Anna Luiza Magalhães (voz e percussão)
  • João Vitor Romano (voz, violino e baixo)
  • Pedro Pessoa (voz e percussão)
  • Laís Moreira (voz e percussão)
  • Sara Marques (voz e percussão)

Como diz o seu press release:  “Boi Luzeiro é o fluxo das emoções, onde musicalizam-se as travessias. O projeto é preenchido de composições autorais que falam da terra, do rio, dos sentimentos, do sertão, do corpo e da natureza. Músicas e poesias que se misturam em declamações, breves encenações e canções com voz, violão, violino, baixo e percussão.”

Num pais que raramente dá valor ao seu rico patrimônio cultural, é uma alegria poder lançar estes jovens, impregnados de talento, musicalidade e brasileirice. As duas primeiras músicas têm cheiro de curral, sabor de fruta madura, saboreada ao pé de árvore, frescura de sombra de mangueira,  fluidez de um rio sonoro limpo e cristalino. Ouçam com carinho:

 

 

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