Série : Ouvir Jazz – Post 2 – New Orleans

Canal Street, 1857

ANTECEDENTES HISTÓRICOS:

 

 Jazz nos lembra Nova Orleans, localizada no estado da Louisiana, sul dos Estados Unidos. Para esta nossa série, procurei entender o porquê de um local tão específico.

  • Em 1764, com pouco mais de 50 anos de fundação, Nova Orleans, então francesa, foi cedida pela França à Espanha.
  • Em 1800 o imperador Napoleão Bonaparte reintegrou Nova Orleans à França
  • Logo a seguir, em 1803 ele vendeu por U$15 milhões, ao governo americano, o restante dos territórios na América do Norte, ainda pertencentes à França.
  • Esta venda incluiu a Louisiana francesa que correspondia ao território de 13 dos atuais estados americanos: Louisiana, Arkansas, Missouri, Iowa, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebraska, Kansas, Wyoming, Minnesota, Oklahoma, Colorado e Montana.
  • O preço final, computados os juros, em valores da época: U$ 27.267.622 por 2.144.500 km² (R$12,72 por km²)
  • Obviamente Nova Orleans passou a pertencer aos Estados Unidos.

Como resultado imediato, Nova Orleans, um porto de frente para o Caribe, já habitada nesta época por imigrantes europeus, majoritariamente latinos (franceses, espanhóis, mexicanos), tradicionalmente mais tolerantes às misturas raciais e culturais, mas também por italianos, escoceses, irlandeses, passou a receber levas de imigrantes africanos. Eles vinham dos próprios Estados Unidos, escravos libertos, após a guerra civil, mas também do Caribe, fugindo do conflito civil em Hispaniola.  Além disto, os africanos expatriados não vinham de uma única região geográfica trazendo consigo influências e culturas diversificadas, tanto africanas, quanto já de misturas adquiridas no exílio.

Este acaso, produziu um caldeirão cultural exótico, uma mistura de culturas e ritmos europeus, caribenhos e africanos, resultando no aparecimento não apenas do jazz, mas também do cajun, do zydeco e outros ritmos locais.

Escute uma amostra de cajun e uma de zydeco: é possível distinguir influências espanholas,francesas, mexicanas, caribenhas e puramente africanas:

Cajun

 Zydeco

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Os 50 melhores álbuns de 2017 (Internacional) – Segundo a crítica internacional

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Anualmente o Vitrola escuta muita coisa e depois faz uma pesquisa pelos principais sites de música para avaliar o que tocou de melhor no ano. Neste ano consultamos:

Mojo; Consequence of Sound; The Guardian;Pitchford;Collector’s Room;QUncut,Fact;Spin;Vulture;Album of the YearStereogun, Time-Out;TMDQA;Billboard;NME;Rolling Stone;Rolling Stone Brasil;Slant Magz;Metacritic;Paste Magazine;APPS;Esquire;Complex.

 LISTA DOS CRÍTICOS: após compilar todos os resultados acima

pos Banda Álbum TOTAL
1 Kendrick Lamar Damn 1403
2 Lorde Melodrama 1150
3 SZA CTRL 1091
4 LCD Soundsystem American Dream 1057
5 St.Vincent Masseducation 975
6 Sampha Process 795
7 The National Sleep Well Beast 748
8 Vince Staples Big Fish Theory 740
9 The War On Drugs A Deeper Understanding 706
10 Father John Misty Pure Comedy 697
11 Perfume Genius No Shape 657
12 Mount Eerie A Crow Looked at Me 593
13 Thundercat Drunk 556
14 Tyler, The Creator Flower Boy 513
15 Jlin Black Origami 502
16 The XX I See You 459
17 Paramore After Laughter 447
18 Kelela Take Me Apart 445
19 Fever Ray Plunge 436
20 Jay-Z 04:44 431
21 Laura Marling Semper Feminina 414
22 Moses Sumney Aromanticism 404
23 Migos Culture 401
24 Jane Weaver Modern Kosmology 395
25 Sheer Mag Need to Feel Your Love 395
26 Wolf Alice Visions of a Life 386
27 Slowdive Slowdive 383
28 Julien Baker Turn Out the Lights 356
29 Hurray For The Riff Raff The Navigator 349
30 Lana Del Rey Lust For Life 328
31 Arca Arca 323
32 Courtney Barnett & Kurt Vile Lotta Sea Lice 320
33 Richard Dawson Peasant 318
34 Taylor Swift Reputation 316
35 The Moonlandingz Interplanetary Class Classics 311
36 J Hus Common Sense 300
37 Kaitlyn Aurelia Smith The Kid 297
38 Susanne Sundfor Music for People in Trouble 290
39 Future HNDRXX 285
40 Stormzy Gang Signs & Prayer 284
41 Priests Nothing Feels Natural 284
42 Julie Byrne Not Even Happiness 281
43 Four Tet New Energy 277
44 King Krule The Ooz 270
45 Jay Som Everybody Works 268
46 The Horrors V 261
47 Paul Weller A Kind of Revolution 257
48 The Magnetic Fields 50 Song Memoir 255
49 Kesha Rainbow 252
50 Sleaford Mods English Tapas 250

No próximo post a lista do Vitrola para os melhores de 2017 (Internacionais)

 

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Série : Ouvir Jazz – Post 1

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Crédito: Nobody Asked Us To Do It, painting by Hector Gomez

(caricature of UI Jazz Band)

Não há uma explicação convincente de como surgiu o jazz. O fato de sua aceitação mundial, sua fusão com diversos outros ritmos, tão diversos como o samba, músicas africanas, orientais, só alerta para a sua significância. Durante algum tempo ele permaneceu adormecido, hibernando nas vitrolas de ouvintes de gerações mais velhas. Agora os mais jovens se interessaram pela sua riqueza melódica e querem saber mais sobre sua história, seus ícones, o seu significado.

Recebi um desafio: criar dentro do Vitrola dos Sousa,  uma pequena introdução, permitindo aos novos ouvintes conhecerem melhor a sua riqueza, mas obedecendo ao nosso estilo de pouco texto e muita música (afinal somos uma vitrola e elas tocam essencialmente sons).

Apesar disto, vou iniciar com uma sugestão literária. Quem melhor me permitiu entender o jazz foi um livro: Jazz, escrito pela escritora americana Toni Morrison. Nele, ela recria o ambiente urbano, em que o jazz se consolidou. A história se passa no Harlem, mas poderia ter acontecido em Belo Horizonte, no Rio ou em Paris. Se puderem leiam e a trilha sonora de nossos posts poderá ser melhor apreciada.

Só para aguçar o apetite:

Zimbo Trio – Quem Diria (é Jazz ou MPB?)

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Faces/Lançamento : Gui Hargreaves – Horizonte (2018)

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Em final de janeiro o mineiro e Gui Hargreaves lançou um novo single, antecipando o aguardado lançamento de seu álbum. ” Gui Hargreaves é um novo autor e artesão da música brasileira. Sua voz acompanhada por seu violão cria uma esfera de som paradoxalmente leve e densa. Sua música retrata  lugares que ele vai e  imagens fortes  e fala de relações humanas, sentimentos e mal-entendidos, viagens,caminhadas e sonhos.Com isto ele traz elementos tradicionais e populares da cultura brasileira até o presente.” (Texto traduzido de Bandcamp)  Pela amostra vem coisa boa por aí. O Vitrola escutou e aprovou.

Fim de Janeiro:

A nossa conversa/ dissolve o passado/ nas curvas da vida estou a seu lado

nunca se sabe/ quem vai se perder/ a estrada se abre,/ pra mim, pra você

loucuras da vida/ um lance do acaso/ minha medida /meu laço/

mas pra mim que sorte/ ser você fim de janeiro é com você/ fevereiro é só você/ e depois já ser nós dois

o medo vai embora,/ e o amanhecer/ não quero que chegue/ eu só quero você

loucuras da vida/ um lance do acaso/ minha medidameu laço

mas pra mim/ que sorte ser você fim de janeiro é com você/ fevereiro é só você/ e depois já ser nós dois

e o verão que vem pra crer/ vem pra festejar/ nós dois é só o tempo de despi/r e o depois é pra depois

hm você hm nós dois é

Gui Hargreaves, 2018 Letra e música por Gui Hargreaves

Produzida, gravada, mixada e masterizada por Leonardo Marques no estúdio Ilha do Corvo em Belo Horizonte

Spotify​ https://open.spotify.com/album/55ULjp…

Deezer​ http://www.deezer.com/track/453269262…

YouTube​ https://youtu.be/eLpRL-RrSEE Apple Music​ https://itunes.apple.com/br/album/fim…

Ouça mais Gui Hargreaves, em seu álbum de estreia: Braseiro:

 

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Jazz: Haruki Murakami fornece a trilha sonora para sua vida

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Feature image courtesy of Vinyloftheday.com

Amantes do jazz , esta playlist é inspirada nas músicas que o autor japonês Haruki Murakami cita nos livros dele. Supostamente ele tem mais de 10.000 discos de vinil em sua coleção privada. Aqui ele disponibiza mais de 3442 faixas no Spotfy. Achei que você fosse gostariam.

SOBRE MURAKAMI

Nascido  em Quioto , filho de um sacerdote budista com a filha de um comerciante de Osaka, com os quais aprendeu literatura japonesa. Passou a maior parte de sua juventude em Shukugawa (Nishinomiya), Ashiya e Kobe.Frequentou a Universidade de Waseda, em Tóquio, dedicando-se sobretudo aos estudos teatrais. Antes de terminar o curso, abriu um bar de jazz chamado Peter Cat, à frente do qual se manteve entre 1974 e 1982.

Em 1986, partiu para a Europa e depois para os EUA, onde acabaria por se fixar.Escreveu o seu primeiro romance – Ouça a canção do vento – em 1979, mas seria em 1987, com Norwegian Wood, que o seu nome se tornaria famoso no Japão.

Murakami é aficionado em esportes de resistência: participa de maratonas e de triatlos, embora só tenha começado a correr depois dos 33 anos. No dia 23 de junho de 1996 completou sua primeira ultramaratona, uma corrida de 100 quilômetros ao redor do lago Saroma em Hokkaido, Japão. Aborda sua relação com o esporte no livro Do que eu falo quando eu falo de corrida (2008). (de Wikipedia)

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Homenagem: Dolores O’Riordan

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Dolores Mary Eileen O’Riordan (Limerick, 6 de setembro de 1971 — Londres, 15 de janeiro de 2018),

Começamos o ano perdendo a doce voz dos Cranberries. É considerada na Irlanda como a maior cantora de toda a história do país. Sempre deu notoriedade aos The Cranberries, embora tenha estado fora da banda entre 2003 e 2009. Dolores O’Riordan faleceu inesperadamente no dia 15 de janeiro de 2018, aos 46 anos, enquanto estava em Londres, Inglaterra, para uma sessão de gravação. A causa da morte, ocorrida no hotel London Hilton on Park Lane, é uma suspeita de suicídio por overdose de Fentanil.

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Homenagem – Favoritos dos Sousa : Fats Domino

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Fats Domino, nome artístico de Antoine Dominique Domino (Nova Orleans, 26 de fevereiro de 1928 — 24 de outubro de 2017.

Ficamos devendo uma homenagem a este ícone do rock’n’roll e da música pop mundial, falecido em outubro de 2017.

Não é exagero dizer que ele foi o “inventor” do rock, já que desde sua primeira gravação “The Fat Man”  (1949), chamou a atenção por estar lançando um novo estilo, que depois ficaria conhecido como rock’n’roll. Esta gravação foi um sucesso absoluto, tendo vendido, na época, mais de um milhão de cópias. Fat passou a frequentar as paradas de sucesso com frequência, tendo emplacado Domino teve 37 singles no Top 40 da Billboard, entre elas a  conhecidíssima,  “Ain’t That a Shame” (1955).

Seu primeiro álbum, “Carry on Rockin“, foi lançado em novembro de 1955 e depois relançado como Rock and Rollin’ with Fats Domino in 1956, tendo alcançado a posição 17 no Top 200 de álbuns pop da Billboard. Sua versão para a música de 1940 de Vincent Rose, Al Lewis e Larry Stock, “Blueberry Hill” alcançou o segundo lugar no Top 40, foi primeiro lugar nas paradas R&B por 11 semanas, e foi seu maior hit, tendo vrendido mais  mais de 5 milhões de cópias no mundo entre 1956 e 1957. Entre 1956 e 1959, teve vários outros hits : “When My Dreamboat Comes Home” (#14 Pop), “I’m Walkin‘” (#4 Pop), “Valley of Tears” (#8 Pop), “It’s You I Love” (#6 Pop), “Whole Lotta Loving” (#6 Pop), “I Want to Walk You Home” (#8 Pop), e “Be My Guest” (#8 Pop).

DISCOGRAFIA:

  • Rock and Rollin’ with Fats Domino (1955, Imperial)
  • Fats Domino Rock and Rollin’ (1956, Imperial)
  • This Is Fats Domino! (1956, Imperial)
  • This Is Fats (1957, Imperial)
  • Here Stands Fats Domino (1957, Imperial)
  • The Fabulous Mr. D (1958, Imperial)
  • Fats Domino Swings (1959, Imperial)
  • Lets Play Fats Domino (1959, Imperial)
  • …A Lot of Dominos! (1960, Imperial)
  • Sings Million Record Hits (1960, Imperial)
  • Let the Four Winds Blow (1961, Imperial)
  • I Miss You So (1960, Imperial)
  • What a Party! (1961, Imperial)
  • Twistin’ the Stomp (1961, Imperial)
  • Just Domino (1962, Imperial)
  • Let’s Dance with Domino (1963, Imperial)
  • Here Comes Fats Domino (1963, ABC-Paramount)
  • Walking to New Orleans (1963, Imperial)
  • Here He Comes Again (1963, Imperial LP-9248)
  • Fats on Fire (1964, ABC-Paramount)
  • “Surboum” chez Fats Domino (196?, Liberty L 83612, LBY 3002)
  • Live in Las Vegas (1965, Philips)
  • Kings of Beat 3 (1965, Star-Club Records)
  • Fats Domino ’65 (1965, Mercury)
  • Getaway with Fats Domino (1965, ABC-Paramount)
  • Fats Domino ’65 (1965, Mercury SR-659-C)
  • Fats Domino! (1966, Sunset)
  • Fats Domino (1966, Grand Award Records GA 267 SD)
  • Trouble in Mind (1968, Sunset)
  • Fats Is Back (1968, Reprise)
  • Stompin’ (1967, Sunset Records)
  • Fatsound (1968, Liberty LBL 83142E)
  • When I’m Walking (1969, Harmony)
  • Fats (1970, Reprise)
  • Fats Domino – Legendary Masters Series (1970, United Artists)
  • My Blue Heaven (1971, Pickwick/33 Records)
  • When My Dreamboat Comes Home (1973, Pickwick/33 Records)
  • Cookin’ with Fats (1973, United Artists)
  • In Concert! (1973, Mercury)
  • They Call Me the Fat Man (1973, Probe 1 C054-94 671)
  • Star Collection (1973, Midi MID 4006)
  • “Hello Josephine” Live at Montreux (1974, Atlantic)
  • Live in Europe (1977, United Artists)
  • Golden Record (1977, United Artists 4 C064-99365)
  • Sleeping on the Job (1979, Antagon Musikgesellschaft)
  • Lady Madonna (1979, Koala Record Co. AW 14162)
  • Blueberry Hill (1979, Koala Record Co. AW 14161)
  • 1980 (1980, F-D Records WB-1200A)
  • Fats Domino Vol. 1 (1981, Joker SM 3895)
  • Alive and Kickin’ (2006, in aid of Tipitina’s Foundation)

Álbums-Tributo

  • That’s Fats: A Tribute to Fats Domino (1996)
  • Goin’ Home: A Tribute to Fats Domino (2007)
  • Lil’ Band o’ Gold, Lil’ Band o’ Gold Plays Fats (2012)

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