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Álbuns do Mês: Joy Ellis: ‘Life On Land’

Nice interview with author Debbie Burke

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Embora lançado no final de 2017 Life on Land é um dos melhores discos de 2018. Jazz de alta qualidade. A pianista, cantora e compositora Joy Ellis é inglesa,mas a sua alma é americana e negra. Belos arranjos, linda voz, instrumentistas inspirados. Este é seu primeiro feito apenas com faixas completamente originais. Como canta Joy em Jazzman : (“With every note he builds a tower / Intricate and flawless, sublime / Weaving stories out of space and time”) (com cada nota, ele constrói uma torre/ intrincada e implacável, sublime/tecelagem de histórias fora do espaço e do tempo)

 

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Ouvir Jazz: Post 5 – Ragtime

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Contemporâneo do blues, o ragtime influiu intensamente no desenvolvimento do  jazz inicial. Às vezes fica difícil separar jazz do ragtime, mas existem diferenças significativas.

“ As semelhanças entre os dois estilos relacionam-se principalmente às técnicas de teclado. No rag a mão esquerda faz o baixo pesado, enquanto a direita repete sincopações.”  (Ted Gioia)

O jazz se apropriou tanto das estruturas feitas com a mão direita no piano, quanto das usadas pela mão esquerda. Este modo de tocar influenciou toda uma geração de pianistas de jazz, sendo chamado de ragging ou ragged time.

 

Considera-se  como a primeira obra de ragtime publicada  “Mississippi Rag” (1897), composta por William Krell. Mais tarde, no mesmo ano, Tom Turpin se tornou o primeiro compositor negro a publicar uma composição de ragtime com seu trabalho “Harlem Rag“.

” St Louis Rag ” (1903) composed by TOM TURPIN, on a piano roll

O ragtime se tornou tão popular na virada do século (como o choro no Brasil), que os críticos musicais resolveram ataca-lo.  Na época, a  revista Metronome declarou: “Lamentamos pensar que alguém possa imaginar que o ragtime tenha a menor importância musical. É uma onda popular na direção errada”.

 

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Em meio a essa rápida disseminação de um novo estilo musical, o termo “rag” invariavelmente tornou-se usado em demasia, mal aplicado, muitas vezes sendo empregado para denotar uma ampla gama de expressões musicais afro-americanas. Muitas peças desse período usam a palavra “rag” em seu título, embora tenham pouca semelhança com o que veio a ser conhecido como estilo de rag “clássico”, assim como muitas das chamadas composições de “blues” se desviaram, consideravelmente, do padrão original.

 

Assim como o blues rural floresceu no Delta do Mississipi e o jazz em Nova Orleans, o ragtime chegou ao auge no Missouri, especialmente em Sedalia (capital do estado), Cartago e St.Louis.O movimento se deu largamente em torno de Scott Joplin que reuniu em torno de si um grupo de pianistas promissores, incluindo Scott Hayden e Arthur Marshall. Os três acabaram se mudando para St.Louis e junto com os compositores locais como Louis Chauvin, Tom Turpin e Artie Matthews fixaram o estilo.

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Ouvir Jazz – Post 4 – O jazz e o blues

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Impossível falar em jazz sem citar blues. Ambos surgiram como irmãos, lado a lado, num mesmo ambiente.

Como diz Greg Tivis : ” Por definição, o blues é tanto uma forma quanto um gênero musical, enquanto o jazz é definido como uma forma de arte musical. O blues refere-se tanto a um certo tipo de progressão de acordes, quanto a um gênero construído nessa forma. O jazz é muito mais difícil de definir porque seu alcance é amplo, abrangendo desde o ragtime do final do século 19 até a moderna música de fusão.

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Na verdade, ambos os estilos têm muito em comum. Ambos se originaram no sul dos EUA, nas comunidades afro-americanas, no final do século XIX. O blues originado das canções de trabalho, espirituais, cantos e gritos de campo.

Caracteriza-se por seus acordes em progressão, pelo uso de notas dobradas – as blue notes (em azul na escala) – suas letras tristes, melancólicas. A blue note provém das escalas usadas nas canções de trabalho, cantadas pelos escravos, geralmente como um tipo de lamento, uma queixa contra a dureza do trabalho nos campos. Do ponto de vista técnico, consiste em criar uma nota atípica à escala diatônica tradicional, transformando-a numa escala de blues.

Ambos os gêneros tornaram-se populares, chegaram às grandes cidades. Nos anos 1920 o blues começou a vender mais discos, caminhando rumo ao norte, especialmente em direção a Chicago, ao longo do tempo dando origem a diversos subgêneros como o country blues, o blues rock e até ao punk blues.

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O jazz, embora nascido nas mesmas comunidades e ao mesmo tempo, resultou como já vimos da combinação de música africana com a europeia, especialmente a partir de New Orleans. Caracteristicamente, em qualquer época, o jazz manteve esta capacidade de incorporar a música popular de sua época. Não foi diferente com o blues: a escala usada na maioria dos blues de 8 e 12 compassos, cedo passou a habitar o universo jazzístico

A crescente popularidade do jazz e do blues levou naturalmente à era das big bands. Centenas de orquestras de dança se espalharam por todos os EUA. Graças a eles, a América encontrou sua própria voz. Ao longo das décadas, os subgêneros se multiplicaram: dixieland, swing, bebop, jazz latino, acid jazz, fusões com o funk, progressivo, com hip hop. Hoje é difícil classificar o que é jazz ou blues. Tanto um quanto o outro constituiram-se em formas de arte puramente americanas, talvez a maior contribuição americana para a cultura mundial.

Uma pequena amostra do que vem por ai: escute porque vale a pena assistir todos os dois.

 

 

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Série : Ouvir Jazz – Post 3 – CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO JAZZ

A africanização da música nas Américas, trouxe consigo características marcantes, percebidas hoje em vários gêneros musicais (jazz,blues,rock,gospel,funk). Escravos africanos, exilados, tinham, na lembrança dos rituais tribais, a única forma de contato com a terra natal. Estes elementos, aos poucos fundiram-se à música europeia. Na música africana:

  • O cantor (ou líder espiritual) canta, chama a plateia para uma resposta em contracanto.
  • Música e dança correlacionam-se intimamente. Habitualmente, o africano, “entende” a música como ligada ao um tipo de dança (ritual)específico.
  • Introdução de instrumentos com o mesmo timbre da voz humana: tambores,mbira (uma série de dentes metálicos ou barras de metal arrancadas, montado sobre uma placa de som de madeira); tanbur (instrumentos feitos de madeira com pescoços longos e corpos de ressonância); conchas.
  • Uso de conchas, pedras, peles de animais, varas, armas, ferramentas, rodas, usados como tambores, chocalhos, raspadores, gongos, palhetas, placas de percussão e até o corpo humano (palmas especialmente), para marcar o ritmo.
  • Capacidade de construir várias camadas de padrões rítmicos resultando em polifonia percussiva. Na música americana, apreciada desde o ragtime, o bebop, até os ritmos do jazz de vanguarda.
  • Ligação ritmo, trabalho. A tradição africana enfatizava o trabalho árduo, ridicularizando a preguiça. Embora, oprimida, escravizada, os negros utilizavam a música, o ritmo para marcar o trabalho.
  • O blues, por outro lado,surgiu como forma alternativa, de lamentar fome, opressão, pobreza, saudade, desejo, sempre de maneira lúdica, sem auto piedade ou recriminações.

Com vários elementos comuns com a música americana e europeia mediterrânea, fica mais fácil entender a facilidade do jazz de fundir, ser amado e aceito mundialmente.

 

Um exemplo africano onde aparecem vários das tendências citadas acima já fundidas com elementos europeus:

Outro exemplo de percursão, polifonia e dança no jazz:

 

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Série : Ouvir Jazz – Post 2 – New Orleans

Canal Street, 1857

ANTECEDENTES HISTÓRICOS:

 

 Jazz nos lembra Nova Orleans, localizada no estado da Louisiana, sul dos Estados Unidos. Para esta nossa série, procurei entender o porquê de um local tão específico.

  • Em 1764, com pouco mais de 50 anos de fundação, Nova Orleans, então francesa, foi cedida pela França à Espanha.
  • Em 1800 o imperador Napoleão Bonaparte reintegrou Nova Orleans à França
  • Logo a seguir, em 1803 ele vendeu por U$15 milhões, ao governo americano, o restante dos territórios na América do Norte, ainda pertencentes à França.
  • Esta venda incluiu a Louisiana francesa que correspondia ao território de 13 dos atuais estados americanos: Louisiana, Arkansas, Missouri, Iowa, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebraska, Kansas, Wyoming, Minnesota, Oklahoma, Colorado e Montana.
  • O preço final, computados os juros, em valores da época: U$ 27.267.622 por 2.144.500 km² (R$12,72 por km²)
  • Obviamente Nova Orleans passou a pertencer aos Estados Unidos.

Como resultado imediato, Nova Orleans, um porto de frente para o Caribe, já habitada nesta época por imigrantes europeus, majoritariamente latinos (franceses, espanhóis, mexicanos), tradicionalmente mais tolerantes às misturas raciais e culturais, mas também por italianos, escoceses, irlandeses, passou a receber levas de imigrantes africanos. Eles vinham dos próprios Estados Unidos, escravos libertos, após a guerra civil, mas também do Caribe, fugindo do conflito civil em Hispaniola.  Além disto, os africanos expatriados não vinham de uma única região geográfica trazendo consigo influências e culturas diversificadas, tanto africanas, quanto já de misturas adquiridas no exílio.

Este acaso, produziu um caldeirão cultural exótico, uma mistura de culturas e ritmos europeus, caribenhos e africanos, resultando no aparecimento não apenas do jazz, mas também do cajun, do zydeco e outros ritmos locais.

Escute uma amostra de cajun e uma de zydeco: é possível distinguir influências espanholas,francesas, mexicanas, caribenhas e puramente africanas:

Cajun

 Zydeco

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Série : Ouvir Jazz – Post 1

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Crédito: Nobody Asked Us To Do It, painting by Hector Gomez

(caricature of UI Jazz Band)

Não há uma explicação convincente de como surgiu o jazz. O fato de sua aceitação mundial, sua fusão com diversos outros ritmos, tão diversos como o samba, músicas africanas, orientais, só alerta para a sua significância. Durante algum tempo ele permaneceu adormecido, hibernando nas vitrolas de ouvintes de gerações mais velhas. Agora os mais jovens se interessaram pela sua riqueza melódica e querem saber mais sobre sua história, seus ícones, o seu significado.

Recebi um desafio: criar dentro do Vitrola dos Sousa,  uma pequena introdução, permitindo aos novos ouvintes conhecerem melhor a sua riqueza, mas obedecendo ao nosso estilo de pouco texto e muita música (afinal somos uma vitrola e elas tocam essencialmente sons).

Apesar disto, vou iniciar com uma sugestão literária. Quem melhor me permitiu entender o jazz foi um livro: Jazz, escrito pela escritora americana Toni Morrison. Nele, ela recria o ambiente urbano, em que o jazz se consolidou. A história se passa no Harlem, mas poderia ter acontecido em Belo Horizonte, no Rio ou em Paris. Se puderem leiam e a trilha sonora de nossos posts poderá ser melhor apreciada.

Só para aguçar o apetite:

Zimbo Trio – Quem Diria (é Jazz ou MPB?)

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Jazz: Haruki Murakami fornece a trilha sonora para sua vida

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Feature image courtesy of Vinyloftheday.com

Amantes do jazz , esta playlist é inspirada nas músicas que o autor japonês Haruki Murakami cita nos livros dele. Supostamente ele tem mais de 10.000 discos de vinil em sua coleção privada. Aqui ele disponibiza mais de 3442 faixas no Spotfy. Achei que você fosse gostariam.

SOBRE MURAKAMI

Nascido  em Quioto , filho de um sacerdote budista com a filha de um comerciante de Osaka, com os quais aprendeu literatura japonesa. Passou a maior parte de sua juventude em Shukugawa (Nishinomiya), Ashiya e Kobe.Frequentou a Universidade de Waseda, em Tóquio, dedicando-se sobretudo aos estudos teatrais. Antes de terminar o curso, abriu um bar de jazz chamado Peter Cat, à frente do qual se manteve entre 1974 e 1982.

Em 1986, partiu para a Europa e depois para os EUA, onde acabaria por se fixar.Escreveu o seu primeiro romance – Ouça a canção do vento – em 1979, mas seria em 1987, com Norwegian Wood, que o seu nome se tornaria famoso no Japão.

Murakami é aficionado em esportes de resistência: participa de maratonas e de triatlos, embora só tenha começado a correr depois dos 33 anos. No dia 23 de junho de 1996 completou sua primeira ultramaratona, uma corrida de 100 quilômetros ao redor do lago Saroma em Hokkaido, Japão. Aborda sua relação com o esporte no livro Do que eu falo quando eu falo de corrida (2008). (de Wikipedia)

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