Consciência Negra em Música: Billie Holiday – Strange Fruit (Traduzido)

Strange Fruit” é uma canção cuja versão mais famosa é a de Billie Holiday. Foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol (um professor judeu de colégio do Bronx), sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Alla. Condenando o racismo americano, especialmente o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no Sul dos Estados Unidos mas também aconteceu em outras regiões do país. A versão de Holiday foi colocada na lista do Hall da Fama do Grammy em 1978. Também foi incluída na lista de canções do século da Recording Industry of America e da National Endowment for the Arts. A letra é chocante e, descontando a diferença de métodos, fica evidente que o linchamento continua. Quando vamos parar ?

Homenagem: Bucky Pizzarelli

Morreu Bucky Pizzarelli, guitarrista de jazz, após ser ...

 

John Paul “Bucky” Pizzarelli (Paterson, 9 de janeiro de 1926 – 1 de abril de 2020)

Um dos grandes guitarristas do jazz e do pop americano, Bucky Pizzarelli morreu aos 94 anos. Foi mais uma vítima do coronavírus. Também pai de dois jazzistas famosos: o guitarrista John Pizzarelli e o baixista Martin Pizzarelli. 

Conhecido pela técnica refinada e elegante, Bucky Pizzarelli tocou ao lado de monstros sagrados como Frank Sinatra, Miles Davis, Sarah Vaughan, Tony Bennett, Dizzy Gillespie, Nat King Cole, entre outros. Como músico de estúdio, ele gravou a guitarra de canções clássicas como “Georgia on my mind” de Ray Charles e “Stand by me” de Ben E. King.

Discografia: 1961 Music Minus Many Men; 1972 Green Guitar Blues; 1972 Plays Bix Beiderbecke Arrangements by Bill Challis; 1974 Nirvana; 1975 Nightwings; 1975 Buck and Bud; 1977 Bucky’s Bunch; 1979 2 X 7 = Pizzarelli; 1979 Duet (With Stéphane Grappelli); 1982 Café Pierre Trio; 1984 Swinging Stevens; 1986 Solo Flight; 1988 Guitar Quintet; 1995 Nirvana; 1996 Live at the Vineyard Theatre; 1996Solos and Duets (with John Pizzarelli); 1999Contrasts(with John Pizzarelli); 1999 Passion Guitars (with John Pizzarelli); 1999 April Kisses; 2000 Italian Intermezzo; 2001Sonatina; 2001 One Morning In May; 2001Passionate Guitars; 2001 Twogether; 2001Swing Live; 2004 Hot Club of 52nd Street; 2005 Moonglow; 2006 Around the World in 80 Years; 2006 Doug and Bucky; 2007 Don’t Blame Me; 2007Five for Freddie; 2007Generations

Homenagem: Ellis Marsalis

 

Legend Of Jazz Music Industry Ellis Marsalis Jr. Passes Away Due ...

Ellis Louis Marsalis Jr.(New Orleans 14/11/ 1934 –  (?) 01/04/ 2020)

Pianista de jazz e professor , ativo desde a década de 1940, patriarca de uma família musical de grande importância no jazz, tendo os filhos, Branford and Wynton como expoentes mundiais .do jazz contemporâneo.

O apresentador do programa de rádio American Routes e professor de antropologia Nick Spitzer define Ellis Marsalis como “um modernista numa cidade de tradicionalistas”. Segundo Spitzer, “seu grande amor era o jazz à la bebop – ele adoravaThelonious Monk e a ideia de que o bebop era uma músicade liberdade. Mas, quando tinha que alimentar sua família, ele tocava R&B, soul e rock no Bourbon Street”.

Ele faleceu dia 01/04, em local divulgado pela família, como vítima de complicações de uma infecção por corona virus.

Discografia (como líder) 1985 Syndrome; 1985 Homecoming with Eddie Harris (Spindletop); 1986 Piano in E; 1989 A Night at Snug Harbor, New Orleans (Somethin’ Else); 1990 Ellis Marsalis Trio (Blue Note); 1991 Jazzy Wonderland (Columbia); 1991 Heart of Gold (Columbia); 1993 Whistle Stop (Columbia); 1994 Joe Cool’s Blues with Wynton Marsalis (Columbia); 1996 Loved Ones with Branford Marsalis (Columbia); 1998 Twelve’s It (Sony); 1999 Duke in Blue (Sony); 2000 Afternoon Session (Music in the Vines/Sonoma Jazz); 2005 Ruminations in New York; 2008 An Open Letter to Thelonious ; 2011 A New Orleans Christmas Carol (Elm); 2012 Pure Pleasure for the Piano with Makoto Ozone (ECM); 2013 On the First Occasion (Elm); 2017 Live at Jazzfest 2017; 2018 The Ellis Marsalis Quintet Plays the Music of Ellis Marsalis

 

Um pouquinho da arte de Ellis Marsalis:

Homenagem: Manu Dibango

 

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Emmanuel N’Djoké Dibango, conhecido como Manu Dibango (Duala, 12 de dezembro de 1933 – Paris, 24 de março de 2020)

Foi a primeira vez que uma musica africana moderna me chamou a atenção. A música era Soul Makossa e eu tinha 16 anos.  Dibango era  músico e compositor, saxofonista, vibrafonista, camaronês de nascimento e um dos pioneiros do afro- jazz e afrobeat. Uma de suas canções, “New Bell”, figurou na trilha sonora do jogo Grand Theft Auto IV, mais precisamente na rádio IF99. Sua música mais conhecida é o afrobeat “Soul Makossa” de 1972, música incorporada por Michael Jackson em “Wanna be start something” e Rihanna em “Don’t stop the music”. 

Hospitalizado há vários dias, depois de ter sido testado positivo para a Covid-19,  Dibango morreu aos 86 anos na França. A informação foi confirmada na manhã desta terça-feira (23) por um dos responsáveis pela sua gravadora e publicada em sua rede social.

Discografia

Soul Makossa (1972) ; O Boso (1973) ; Makossa Man (1974) ; Makossa Music (1975) ; Manu 76 (1976) ; Super Kumba (1976) ; The World of Manu Dibango (1976) ; Ceddo O.S.T (1977) ; A l’Olympia (1978) ; Afrovision (1978) ; Sun Explosion (1978) ; Gone Clear (1980) ; Ambassador (1981) ; Waka Juju (1982) ; Mboa (1982) ; Electric Africa (1985) ; Afrijazzy (1986); Deliverance (1989) ; Happy Feeling (1989) ; Rasta Souvenir (1989) ; Polysonik (1992); Live ’91 (1994) ; Wakafrika (1994) ; African Soul – The Very Best Of (1997) ; CubAfrica (com Eliades Ochoa) (1998)

 

Jazz de pai para filho

Domingo de manhã, visitando meu pai na sua casa. Na varanda uma boa chance de escutar um antigo LP (vinyl) que foi dele, datado do início da década de 1960 e que hoje está guardado em minha coleção. Pai, 86 anos, filho, 62 anos e o vinyl com quase sessenta… é puro jazz!

Álbuns do Mês: Joy Ellis: ‘Life On Land’

Nice interview with author Debbie Burke

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Embora lançado no final de 2017 Life on Land é um dos melhores discos de 2018. Jazz de alta qualidade. A pianista, cantora e compositora Joy Ellis é inglesa,mas a sua alma é americana e negra. Belos arranjos, linda voz, instrumentistas inspirados. Este é seu primeiro feito apenas com faixas completamente originais. Como canta Joy em Jazzman : (“With every note he builds a tower / Intricate and flawless, sublime / Weaving stories out of space and time”) (com cada nota, ele constrói uma torre/ intrincada e implacável, sublime/tecelagem de histórias fora do espaço e do tempo)

 

Ouvir Jazz: Post 5 – Ragtime

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Contemporâneo do blues, o ragtime influiu intensamente no desenvolvimento do  jazz inicial. Às vezes fica difícil separar jazz do ragtime, mas existem diferenças significativas.

“ As semelhanças entre os dois estilos relacionam-se principalmente às técnicas de teclado. No rag a mão esquerda faz o baixo pesado, enquanto a direita repete sincopações.”  (Ted Gioia)

O jazz se apropriou tanto das estruturas feitas com a mão direita no piano, quanto das usadas pela mão esquerda. Este modo de tocar influenciou toda uma geração de pianistas de jazz, sendo chamado de ragging ou ragged time.

 

Considera-se  como a primeira obra de ragtime publicada  “Mississippi Rag” (1897), composta por William Krell. Mais tarde, no mesmo ano, Tom Turpin se tornou o primeiro compositor negro a publicar uma composição de ragtime com seu trabalho “Harlem Rag“.

” St Louis Rag ” (1903) composed by TOM TURPIN, on a piano roll

O ragtime se tornou tão popular na virada do século (como o choro no Brasil), que os críticos musicais resolveram ataca-lo.  Na época, a  revista Metronome declarou: “Lamentamos pensar que alguém possa imaginar que o ragtime tenha a menor importância musical. É uma onda popular na direção errada”.

 

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Em meio a essa rápida disseminação de um novo estilo musical, o termo “rag” invariavelmente tornou-se usado em demasia, mal aplicado, muitas vezes sendo empregado para denotar uma ampla gama de expressões musicais afro-americanas. Muitas peças desse período usam a palavra “rag” em seu título, embora tenham pouca semelhança com o que veio a ser conhecido como estilo de rag “clássico”, assim como muitas das chamadas composições de “blues” se desviaram, consideravelmente, do padrão original.

 

Assim como o blues rural floresceu no Delta do Mississipi e o jazz em Nova Orleans, o ragtime chegou ao auge no Missouri, especialmente em Sedalia (capital do estado), Cartago e St.Louis.O movimento se deu largamente em torno de Scott Joplin que reuniu em torno de si um grupo de pianistas promissores, incluindo Scott Hayden e Arthur Marshall. Os três acabaram se mudando para St.Louis e junto com os compositores locais como Louis Chauvin, Tom Turpin e Artie Matthews fixaram o estilo.

Ouvir Jazz – Post 4 – O jazz e o blues

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Impossível falar em jazz sem citar blues. Ambos surgiram como irmãos, lado a lado, num mesmo ambiente.

Como diz Greg Tivis : ” Por definição, o blues é tanto uma forma quanto um gênero musical, enquanto o jazz é definido como uma forma de arte musical. O blues refere-se tanto a um certo tipo de progressão de acordes, quanto a um gênero construído nessa forma. O jazz é muito mais difícil de definir porque seu alcance é amplo, abrangendo desde o ragtime do final do século 19 até a moderna música de fusão.

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Na verdade, ambos os estilos têm muito em comum. Ambos se originaram no sul dos EUA, nas comunidades afro-americanas, no final do século XIX. O blues originado das canções de trabalho, espirituais, cantos e gritos de campo.

Caracteriza-se por seus acordes em progressão, pelo uso de notas dobradas – as blue notes (em azul na escala) – suas letras tristes, melancólicas. A blue note provém das escalas usadas nas canções de trabalho, cantadas pelos escravos, geralmente como um tipo de lamento, uma queixa contra a dureza do trabalho nos campos. Do ponto de vista técnico, consiste em criar uma nota atípica à escala diatônica tradicional, transformando-a numa escala de blues.

Ambos os gêneros tornaram-se populares, chegaram às grandes cidades. Nos anos 1920 o blues começou a vender mais discos, caminhando rumo ao norte, especialmente em direção a Chicago, ao longo do tempo dando origem a diversos subgêneros como o country blues, o blues rock e até ao punk blues.

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O jazz, embora nascido nas mesmas comunidades e ao mesmo tempo, resultou como já vimos da combinação de música africana com a europeia, especialmente a partir de New Orleans. Caracteristicamente, em qualquer época, o jazz manteve esta capacidade de incorporar a música popular de sua época. Não foi diferente com o blues: a escala usada na maioria dos blues de 8 e 12 compassos, cedo passou a habitar o universo jazzístico

A crescente popularidade do jazz e do blues levou naturalmente à era das big bands. Centenas de orquestras de dança se espalharam por todos os EUA. Graças a eles, a América encontrou sua própria voz. Ao longo das décadas, os subgêneros se multiplicaram: dixieland, swing, bebop, jazz latino, acid jazz, fusões com o funk, progressivo, com hip hop. Hoje é difícil classificar o que é jazz ou blues. Tanto um quanto o outro constituiram-se em formas de arte puramente americanas, talvez a maior contribuição americana para a cultura mundial.

Uma pequena amostra do que vem por ai: escute porque vale a pena assistir todos os dois.

 

 

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