Álbuns do Mês: Silva – Brasileiro

***

Silva, um dos grandes “novos”nomes da MPB está com lançamento novo: Brasileiro, seu sexto disco na carreira. As canções são lindas, mas às vezes tediosas. Em vários momentos ele me remete a Jorge Drexler ou às vezes a Los Hermanos. O Álbum é gostoso de escutar, mas fica a sensação de que Silva tem talento para alçar voos mais  altos. Pequenas demonstrações desta teoria podem ser escutadas em “Nada Será Como Era Antes” e “Ela Voa“que têm uma batida eletrônica mais sintonizada com os tempos atuais, ou em “Brasil,Brasil“, com uma percussão que lembra rituais afro-brasileiros. Mas o grande destaque fica com a faixa “Fica Tudo Bem“, um dueto inspirado entre dois artistas em momentos diferentes na carreira.

 

Crítica: Silva canta Marisa Monte – Teatro Bradesco BH – 07/04/17

IMG_1658

Cotação ****

Tive a impressão de assistir ontem ao nascimento definitivo de uma nova estrela pop da música brasileira. Não que Silva não fosse conhecido, ou  que lhe faltasse talento, mas com o atual show ele se torna definitivamente uma referência pop dentro da MPB. A proposta era arriscada, partir de clássicos gravados por Marisa, talvez a maior cantora brasileira da atualidade e lhes dar uma nova roupagem.

Com este propósito, Silva caprichou nos arranjos – largamente baseados nos teclados tocados por Silva, que conseguiram fazer as canções ficarem ainda mais pop, afastando-se um pouco do samba e aproximando-se do rock e da música eletrônica,mas com o mérito de não desfigurar as músicas e foi além do cancioneiro autoral da artista.

O Show abriu com  uma bela versão de Chuva no brejo (Moraes Moreira, 1975), música que Marisa registrou no CD e DVD Barulhinho bom (1996). Seguiram-se boas as versões de Ainda lembro (Marisa Monte e Nando Reis, 1991) , Tema de amor (Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000), Na estrada (Carlinhos Brown, Nando Reis e Marisa Monte, 1994), O bonde do dom (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006), Universo ao meu redor (2006), Eu sei (Na mira) (Marisa Monte, 1991) e a desejada Beija eu (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Arto Lindsay, 1991).

Não só de músicas de Marisa constou o show, a versão da canção De noite na cama (Caetano Veloso, 1971) foi memorável. No mesmo bloco tivemos Sonhos (Peninha, 1977), que me fez lembrar Caetano Veloso e  O que me importa (Cury, 1971), uma bela canção romântica  lançada por Adriana e  popularizada por Tim Maia em gravação de 1972. Silva apresentou ainda versões  para Acontecimento (Hyldon, 1975), Eu sou o caso deles (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972) e O mistério do planeta (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1974).

Image-1

Enfim um belo show, para uma estrela que nasce abençoado por uma madrinha de peso, a própria Marisa, que não se cansa de elogiar o seu “afilhado’.

Os Melhores de 2012: # 54. Silva : Claridão

Tudo começou em 2011, quando Lucio Silva, um capixaba de 23 anos, soltou um EP com 5 faixas na internet. O som era tão qualificado e diferente, que logo gerou repercussão na web: todo mundo começou a comentar sobre um tal projeto musical chamado ‘Silva’. O alcance de seu trabalho foi aumentando e Silva realizou o segundo show de sua carreira no Sónar SP, festival de música para mais de 30 mil pessoas. Ele dividiu o palco com Cee Lo Green e James Blake. Esta verdadeira revelação lançou seu primeiro disco, Claridão. O resultado não poderia ser diferente: são 6 faixas inéditas que, somadas às do EP, formam um álbum com sincronia perfeita. Claridão carrega toda a energia do jovem músico e mostra a assinatura que o artista criou em pouco tempo: um som diferente e contemporâneo. Além do talento de Lucio, o CD contou com Matt Colton na masterização, Jeremy Parkna na mixagem, Jorge Bispo na fotografia e Rob Carmichael na arte gráfica. Um time e tanto! E o álbum já está dando o que falar: em sua data de lançamento digital, alcançou o sexto lugar no Top Álbuns do iTunes Brasil.

Claridão é provavelmente um trabalho que irá enfrentar a fúria de uma pequena horda de críticos e ouvintes confusões que hão de desprezar a obra até o último instante. São os velhos. Não senhores sexagenários de cabelos brancos e ralos, mas indivíduos de mente pequena e que ainda mantém a sobriedade amarrada ao passado. Os mesmos “senhores” contrariados e ranzinzas que devem ter se revirado ao encontrar o samba eletrônico de Wado, o romantismo caseiro de Cícero, o electrobrega e o hip-hop versátil que se estabeleceu nos últimos anos. Ouvintes que vão passear pelos ensaios eletrônicos e a tapeçaria erudita de Ventania e Cansei sem entender de fato o que está acontecendo. Silva, por sua vez, sabe exatamente o que está fazendo, e isso é o que realmente importa. (Miojo Indie)

 

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: