Crítica: Ian Anderson – Palácio das Artes – Belo Horizonte 15/03/13

Cotação: *****

O Palácio das Artes esteve lotado na noite de sexta dia 15/03/13. O motivo era a presença do líder do Jethro Tull, mais uma vez entre nós em Belo Horizonte, para apresentar o repertório de seu álbum Thick As A Brick lançado pelo Jethro Tull em 1972. Numa primeira parte que durou cerca de uma hora, Ian Anderson encantou a todos , ou melhor nos hipnotizou a todos ,com uma performance perfeita. Sua voz ainda é a mesma, assim como a vitalidade e a presença de palco. Parece que o tempo não passou para ele. Cabe ressaltar a excelente banda de apoio, que não deixou que sentissemos a falta do restante do Jethro Tull. Composta do ator e excelente vocalista inglês Ryan O´Donnell que representou muito bem a figura central do disco, Gerald Bostock. Impressiona o timbre de voz de  O´Donnell e a sua perfeita sintonia vocal com Anderson. Além dele , um excelente guitarrista , o alemão Florian Opahle, o veterano John Ohara nos teclados,  um baterista competente Scott Hammond , e David Goodier (baixo).
 
 
 
 
Após um intervalo de 15 minutos (ou um pouco mais) , a segunda parte da apresentação veio também com a execução na íntegra de Thick As A Brick 2 que maravilhou todos os presentes. Mais uma vez, a estória gira em torno de Bostock só que 40 anos depois.Após a bela execução de TAB2, a banda retorna ao palco para um único e essencial bis da excelente música Locomotive Breath que fez o teatro ir abaixo! O público de pé acompanhou em coro a letra juntamente com Anderson que se encontrava visivelmente satisfeito pelo belíssimo show que ele e sua banda acabara de fazer. Só posso dizer, que é sensacional a ideia de apresentar ao vivo discos icônicos como Thick As A Brick, e emocionante ver como eles resistiram ao tempo. Um show fantástico e inesquecível.

Show: Jon Anderson – Palácio das Artes (Belo Horizonte) 26/09/12

Jon Anderson se apresenta no Brasil em setembro

Cotação dos Sousa: ****

Fiquei devendo o comentário do show de Jon Anderson no Palácio das artes aqui em BH. Sim, o Vitrola esteve presente e trás agora suas impressões.  Jon quase morreu em 2008, vítima de uma grave insuficiência respiratória e de cirurgias abdominais, para tratar uma pancreatite. A partir de 2009, ele começou a fazer shows mais intimistas. No palco só Jon, velas acesas, violões,ukelele, um instrumento de cordas chinês e um teclado ( de que, segundo ele, “utiliza apenas as teclas brancas”). Aliás, este é um diferencial do “novo” Jon Anderson – livre de toda parafernália eletrônica, ele mostra excelente humor e dialoga com a platéia o tempo todo. No repertório várias belas canções , embaladas por sua voz, que ,aos 67 anos, permanece maravilhosa.

Fomos brindados com versões de  “One Love”, de Bob Marley, “América” de Paul Simon e até de “A Day in Life”, dos Beatles. Destaque para clássicos de seu tempo como vocalista do  Yes como Ÿours Is No Disgrace”, “Sweet Dreams”, “And You and I”, “Long Distance Runaround”, “Soon” e até “Owner of a Lonely Heart”. Ah , e o bis foi com a belíssima “Wonderous Stories”. Um belo espetáculo. Quem não foi perdeu.

Show: Wishbone Ash – Granfinos – Belo Horizonte 23/09/12

Foto: Granfinos recebe hoje a banda inglesa Wishbone Ash http://migre.me/aMTXw

Cotação: ****

Domingo passado vivi uma experiência diferente. Como eu achava que era um dos poucos fãs da banda inglesa , lendária nos anos 1970-1980, fui sozinho assistir ao show deles no Granfinos, um pequeno bar dançante e casa de shows, localizada em Santa Efigênia. Eu não podia perder a chance: afinal, em 1980, em Londres eu tive que procurar em uma loja de LP’s usados, para comprar um clássico das bandas : Argus , que eu não conseguira encontrar em BH. Agora os cara iam tocar a menos de três mil metros de minha casa e eu não iria? Afinal o Wishbone Ash é considerado como um dos maiores inovadores do rock, no que diz respeito à harmonia , com o uso das “guitarras gêmeas”  atuando como  “lead guitar” . Na época,  Andy Powell e Ted Turner  foram votados como  “Two of the Ten Most Important Guitarists in Rock History” (Traffic magazine 1989),e depois como  “Top 20 Guitarists Of All Time” (Rolling Stone).  A Melody Maker(1972) descreveu  Powell e Turner como “o dueto de guitarras mais interessante desde  que  Jeff Beck e Jimmy Page tocavam juntos no  The Yardbirds”.Os membros originais eram :  Martin Turner (baixo & vocais) , Steve Upton (baterias e percursão) , Andy Powell e  Ted Turner (guitarras e vocais) . A formação que esteve em BH foi a do Martin Turner’s Wishbome Ash, no seu tour mundial “No Easy Road”. Martin Turner’s Wishbone Ash apresenta os guitaristas Ray Hatfield  e Danny Willson, e o baterista  Dave Wagstaffe, nas como Martin foi o fundador da banda, permanece fiel aos arranjos e ao legado do Wishbone Ash original.

Foi uma boa experiência. Um público majoritariamente masculino, com a idade variando de 30 aos 60 anos, assistiu uma autêntica “guitar band” dos anos 70, com guitarristas excelentes, arranjos fiéis ao legado do Wishbone Ash e uma lenda viva do rock: Martin Turner como “front man”, tudo assistido de uma distância de menos de 5 metros do palco. Dá para querer mais. Superdivertido. Foi uma grande noite. Perdeu quem não foi.

Show: Ringo Starr and His All Star Band: Chevrolet Hall Belo Horizonte 16/11/11

COTAÇÃO:

O primeiro Beatle a tocar em BH não decepcionou. Num show com público e beatlemaníacos de todas as idades, acompanhado por uma banda de celebridades: Edgar Winter (teclado e Sax), Wally Palmar (guitarra), Gary Wright (guitarra), Rick Derringer (guitarra) e Richard Page (baixo), Gregg Bissonette (na outra bateria) e Mark Rivera (sax), Ringo fez o Chevrolet Hall cantar e dançar por quase 2 horas do mais puro rock’n roll. Ringo e sua banda seguiram o mesmo set list de 22 títulos já apresentado em outras cidades.  “It Don’t Come Easy”  abriu a apresentação e agitou o público, que foi ao delírio com a primeira das músicas dos Beatles:  “Honey Don’t”. Durante o show, Ringo ficou por mais tempo atrás da bateria, onde certamente ele se sente mais à vontade, entremeando músicas de sua carreira solo, sucessos de seus companheiros de banda e músicas dos Beatles. Destaques para “I Wanna Be Your Man”, “Act Naturally” e “Yellow Submarine” , além da bela  “Photograph” e os momentos solos de Rick Deringer , com “Hang on Sloopy” e o show de competência e versatilidade de Edgar Winter com a instrumental “Frankenstein”. Para o final “With a Little Help From My Friends”, emendada com uma citação de “Give Peace a Chance”, clássico de John Lennon.  Ringo nos faz crer, que mesmo nestes tempos de axé, seranejo brega e hip hop , o rock continua sobrevivendo com dignidade e força. Long life Ringo Starr, Long life All Star Band, Long life rockn’n roll ! Dou 4 estrelas e meia

Show: Chico Buarque – Chico – Palácio das Artes – Belo Horizonte 06/11/11

Cotação:

Chico escolheu BH para abrir a temporada de promoção de seu novo CD, e o Vitrola esteve lá. O que nós vimos foram as habituais cenas de  idolatria, nem sempre (ou quase nunca) correspondidas, de um público que lotou o Palácio das Artes.

A Banda de Chico é excepcional: Jorge Helder e Wilson das Neves, o maestro e arranjador Luiz Claudio Ramos, João Rebouças (piano e teclados), Chico Batera(percussão), Marcelo Bernardes (flautas, saxofone) e Bia Paes Leme (teclados e vocais).

O show é correto, embora comece bastante frio, mas reserva algumas boas surpresas. Canções menos frequentes nas apresentações ao vivo, como Baioque, Ana de Amsterdam, O Velho Francisco , De Volta ao Samba, Desalento, Injuriado   substituiram outras mais conhecidas. Do novo disco algumas ainda pouco conhecidas, como Querido Diário e Rubato. Chico quase não se move no palco, mas é adorado. O climax vem com as mais conhecidas do público : Geni e o Zepelim, Sob Medida, Bastidores, Todo o Sentimento ,  O Meu Amor ,  Teresinha ,  e “Anos Dourados.

Outro momento interessante foi quando Chico brinca de rap em resposta ao rapper Criolo, que fez uma música inspirada em Cálice. Diz Chico:

” Pai, afasta de mim a biqueira
Afasta de mim as ´biate´
Afasta de mim a ´cocaine´
Pois na quebrada escorre sangue

Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue”

Um momento especial do show acontece quando ele convida seu  “personal baterista”,Wilson das Neves, para cantar  e divide com ele os vocais de  Teresa da Praia (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), imortalizada por Dick Farney e LúcioAlves.

Chico volta duas vezes para o bis e no segundo e último bis canta Na Carreira  (Edu e Chico), do “Grande CircoMístico”, de 1982, que avisa  ao público:

” Hora de ir embora
Quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir

(…)

Ir deixandoa pele em cada palco
E não olhar pra trás
E nem jamais
Jamais dizer
Adeus”

Chico abre os braços, se despede com um tímido beijinho, que mal escorrega de suas mãos e dá adeus. Fica a impressão de que o show poderia ter sido melhor. Chico é muito tímido, tem pouca presença de palco e isto limita um pouco o espetáculo. Ser um artista que agrada seu público, que pagou caro para assistí-lo, e que quer escutar sempre as mesmas músicas ( como fazem Roberto Carlos e Paul McCartney, por exemplo), ou arriscar em um show mais ousado, recheado de músicas menos conhecidas e mais  novas ? Qual a fórmula ideal ? Chico escolheu o meio do caminho, o que parece ser uma decisão sábia e justa. Resumindo, gostamos. Dou 4 estrelas.

Show: Roberto Carlos no Mineirinho 24/09/11

Os Sousa sempre vão a Shows musicais e costumam compartilhar aqui a sua experiência. Neste último final de semana, um pouco de má vontade, fui assistir a apresentação de Roberto Carlos (RC) no Mineirinho, em Belo Horizonte. Já na fila para a entrada uma constatação, o público de RC é muito grande e tem uma diversidade que jamais havia visto num show musical. Havia gente de todas as espécies, cores, formatos, credos, idades e camadas sociais misturadas na fila de entrada, e nem sempre (ou quase nunca) os mais “abonados” iam para os lugares mais caros.

Depois de uma espera de mais de uma hora, com cerca de 40 minutos de atraso, a Orquestra que acompanha o Rei, a RC 7 ou RC 14 (?) abriu o show, ou melhor a celebração, tocando um pout-pourri de músicas de RC, devidamente acompanhada por um coro de milhares de vozes. De repente – histeria – o locutor anuncia e entra o Rei. RC é carismático, esbanja simpatia e competência, não se abala com a péssima acústica do Mineirinho, nem com as onipresentes falhas dos equipamentos de audio (que chegam a interromper o show por alguns minutos). São quase duas horas de sorrisos, coros, baladas amorosas, mãos para o ar, num clima de total celebração. A plateia está alí para homenagear o seu ídolo, não importa que o repertório seja quase sempre o mesmo (aliás é bom que seja), que RC esteja sempre vestido de maneira semelhante, que não haja nenhuma cenografia especial. Só o que importa é a presença do ídolo. E porque RC é tão especial? Acho que é talvez porque ele goste do papel que lhe cabe. Na minha vida, ví poucos artistas com tamanha disposição e prazer em atender seu público (talvez Paul McCartney ou quem sabe Elvis Presley)

A música. A música é o que menos importa no show de RC. Não que ela seja ruim; a orquestra é altamente competente e RC ainda canta bastante bem, sem deixar de fora nenhum de seus maiores hits. Após as duas horas de show, a celebração termina com uma grande comunhão. Enquanto a Orquestra toca, RC distribui rosas, beijadas e entregues uma a uma, enquanto recebe dezenas de presentes (que faz questão de abrir, no palco, fazendo cara de grande satisfação)e fim. RC vai embora e a plateia sai extasiada.

É isto. Valeu a experiência. Como ele mesmo diz “Não adianta nem tentar me esquecer, durante muito tempo em sua vida eu vou viver…”

RC no Programa do Jô (1985):

Crítica: Maria Rita no Citibank Hall SP


Eu adoro ir para São Paulo, não só pelo de relaxar e encontrar meu namorado, mas porque SP sempre me oferece uma gama de eventos e opções de lazer, especialmente musicais, que são as que sempre me atraem.

Neste fim de semana fui assistir a Maria Rita no Citibank Hall, ou antigo Palace, a convite do meu namorado. Confesso que, se ela estivesse se apresentando em BH, talvez eu nem daria tanta importância a este show, já que há muito não escuto uma música dela.

Maria Rita me lembra minha adolescência, quando eu achava o máximo gostar de música brasileira (mas não conseguia ter muito apreço pelas MPBs de verdade, hehe), mas o meu processo de amadurecimento (e aquele episódio dos IPODs entregues a emissoras de rádio para promover, forçadamente, seu novo álbum) me fizeram desenvolver uma certa antipatia por ela, achando que, realmente, ela se aproveitava do fato de que era filha da Elis Regina. Bem, mas mesmo assim, eu topei ir, afinal, era uma maneira de aumentar meu currículo musical, e não é que eu deteste ela assim, era só uma leve antipatia.

Porém, dito e feito, já com 1h de atraso, eu pensei, “é antipática mesmo, deve estar se maquiando”, e até meu namorado, que adora Maria Rita, se estressou, e as vaias começaram. Com 1h e 10 ela finalmente entra, com um belo vestido, pouco discreto, porém pouco ousado, e canta. Depois de uma chuva de aplausos, a primeira frase é um pedido de desculpas: “Sabe esta coisinha que uso aqui no meu ouvido? É o que uso para escutar o show e vocês, e ele estava estragado, e infelizmente demorou para ajeitar.” Eu achei tão educado e delicado, que isto foi uma maneira pra me desarmar para ouvir o show.

E por ai fomos passando entre sucessos de seu primeiro album, Maria Rita, o Segundo e o Samba Meu, com destaque para “Pagu”, “Cara Valente”, “Encontros e Desencontros”, “Veja Bem Meu Bem”, “Nem um Dia”, “Cria” e , claro, “Tá Perdoado”. Para terminar duas seguidas do seu amigo (e porque não paixão platônica) Falcão do O Rappa: “O Que Sobrou do Céu” e “Minha Alma”.

Entre suas músicas, seus passos de dança característicos (que sempre me lembram da comediante Samantha Schmutz imitando uma apresentação de Maria Rita no programa do Jô), uma voz impecável (e de dar inveja, porque isto ela herdou mesmo da mãe) muita conversa e uma pegada de timidez (que sempre levava ela a segurar a barra de seu vestido como uma menina recém chegada aos palcos) Maria Rita conquistou o público presente em São Paulo, que não fez feio e lotou o Citibank Hall. Aliás este é mais um ponto positivo de se assistir a qualquer apresentação em Sampa, os paulistanos estão tão acostumados a conviver com cultura o tempo todo que qualquer artista consegue encher uma casa de shows, e deve ser por isto que para eles é tão prazeroso sempre voltar a SP. E olha que todos cantam todas as músicas, sem pestanejar, como se fossem fãs calorosos.

Agora que fiz as pazes com Maria Rita, e voltei a respeitar seu legado musical (mesmo que curto), termino aqui com a minha favorita da apresentação de sábado: “Não Deixe o Samba Morrer”, uma bela homenagem para este estilo musical, que ela afirma ser tão próxima, o samba.

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