Encontros: Nara Leão e Roberto Menescal – O barquinho , O pato , Manhã de carnaval

Este encontro , no show Um Cantinho, Um Violão, eu tive o privilégio de assistir no Minascentro aqui em BH, em 1985. Momentos preciosos, irrecuperáveis, que ficam para sempre em nossa memória. Inesquecível !

O Beco das Garrafas

Nesta última semana estive no Rio de Janeiro para um evento e fiquei hospedado em Copacabana. Pela janela lateral de meu quarto, no 28 andar, eu podia avistar a belíssima orla marítima da “Princesinha do Mar” à direita e à esquerda o emaranhado de ruas, becos e vielas espremidas entre a montanha e a praia, que compõem o bairro de Copacabana. Como é impossível, para mim, estar no Rio e não me lembrar de música, especialmente de Bossa Nova, não houve como não tentar localizar ali do alto a rua Duvivier e o Beco das Garrafas.

Beco das Garrafas é o nome de uma travessa sem saída (um beco), localizado na rua Duvivier, quase no Leme, que calhou de abrigar um conjunto de casas noturnas nas décadas de 1950 e 1960, que viram a ser muito importantes para o desenvolvimento e a consolidação da Bossa Nova.Ficavam lá localizadas a Ma Griffe, Bacará, Little Club e Bottle’s.

A alcunha de Beco das Garrafas (inicialmente Beco das Garrafadas), nome criado pelo jornalista Sérgio Porto para se referir ao local, se deve à prática dos moradores, incomodados com o ruído, que invadia as madrugadas,  de jogar garrafa nos boêmios que freqüentavam estas casas.

Copacabana tinha ainda outros locais em que a noite era esticada. O Beco do Joga –a-Chave , localizado na rua Carvalho de Mendonça, também tinha várias casas noturnas, com destaque para o Bar e Boate Dominó.

Os irmãos italianos Alberico e Giovanni Campana eram donos de três destas boates, o Little Club, Bottle’s e Ma Griffe, e excetuando-se esta última que era dedicada à prostituição, nas outras duas eles estavam sempre dispostos a patrocinar jovens talentos, desde que eles mantivessem as suas casas cheias.

Nesta mesma época o Trio Bossa Três, formado pelo pianista Luís Carlos Vinhas, o baterista Edison “Maluco” Machado e o baixista Tião Netto que era a atração principal do Restaurante Au Bon Gourmet , foi despedido, porque os freqüentadores do restaurante não gostavam da maneira ousada que o trio tocava samba – queriam é ouvir Nelson Gonçalves cantar samba-canção.

O Trio Bossa Três foi então contratado, pelos irmãos Campana,  para tocar no Little Club. Com isto, as outras boates do local começaram a atrair boa parte dos talentos da noite carioca. A dupla Miele e Boscoli, responsáveis pela direção, pelo som e pela iluminação tinha um lema: “Dê-nos um elevador e nós lhe daremos um espetáculo” e usavam toda sua criatividade para criar pocket-shows nos pequenos espaços que lhes cabiam. Além dos musicais noturnos, havia também as matinês de domingo, que reuniam músicos amadores e profissionais. Assim, o Beco das Garrafas, abrigou, nos anos 1960, o melhor da bossa nova instrumental.

Miele e Boscoli

Alguns nomes que se apresentavam ali Sergio Mendes, Luiz Eça, Luís Carlos Vinhas, Salvador e Tenório Jr., Raul de Souza, J.T. Meireles, Cipó, Paulo Moura, Maurício Einhorn, Rildo Hora, Baden Powell, Durval Ferreira, Tião Neto, Manuel Gusmão, Bebeto Castilho, Dom Um Romão, Edison Machado, Airto Moreira, Wilson das Neves, Chico Batera, Vítor Manga e Hécio Milito, entre outros músicos. Entre os cantores: Sylvinha Telles e Marisa Gata Mansa, Dóris Monteiro, Claudette Soares, Alaíde Costa, Lenny Andrade, Flora Purim, Nara Leão, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Sílvio César, Agostinho dos Santos, Jorge Ben, Wilson Simonal, Pery Ribeiro e Elis Regina.

Outro personagem de destaque no Beco das Garrafas foi o dançarino, coreógrafo e cantor Lennie Dale, que, além de dirigir vários shows ali apresentados, sendo muito exigente com relação à necessidade de ensaio, aproveitava o espaço vazio do Bottle’s durante as tardes para ministrar aos artistas aulas de expressão corporal.

O auge do Beco durou de 1958 a 65. Porém, a chama ainda não se apagou , um grupo de empresários está reformando os locais onde funcionaram as boates Little Club, Bottle´s e Bacarat, em decadência desde o fim dos anos 60.  Os investidores planejam transformar a viela em um museu da bossa nova, com a exposição de peças referentes a Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Aguardamos ansiosos.

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