Essenciais do Vitrola: Clube da Esquina 1 (1972)

Uma brincadeira no Facebook pediu que eu escolhesse  os 10 álbuns que enormemente influenciaram meu gosto musical. Comecei com este clássico. Foi absolutamente desnorteador escutar esta pérola em pleno 1972. Só há faixas boas, completamente originais, diferente de tudo que havia sido feito até então. Como não ter sido influenciado ? Como diz uma das faixas mais conhecidas : Nada Será como Antes. Excepcional ! O link para o Spotify está logo abaixo. Escute e comprove:

As faixas:

Lado A

  1. “Tudo Que Você Podia Ser” (Lô Borges, Márcio Borges) – Interpretação: Milton Nascimento 
  2. “Cais” (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – Interpretação: Milton Nascimento 
  3. “O Trem Azul” (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – Interpretação: Lô Borges
  4. “Saídas e Bandeiras nº 1” (Milton Nascimento, Fernando Brant) – Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
  5. “Nuvem Cigana” (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – Interpretação: Milton Nascimento 
  6. “Cravo e Canela”
  7. (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – Interpretação: Lô Borges e Milton Nascimento

Lado B

  1. “Dos Cruces” (Carmelo Larrea) – Interpretação: Milton Nascimento 
  2. “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” (Lô Borges, Márcio Borges) – Interpretação: Lô Borges
  3. “San Vicente”  (Milton Nascimento, Fernando Brant) – Interpretação: Milton Nascimento 
  4. “Estrelas”  (Lô Borges, Márcio Borges) – Interpretação: Lô Borges
  5. “Clube da Esquina nº 2” (Lô Borges, Márcio Borges,Milton Nascimento) –Interpretação: Milton Nascimento 

Lado C

  1. “Paisagem da Janela”  (Lô Borges, Fernando Brant) – Interpretação: Lô Borges
  2. “Me Deixa em Paz” (Monsueto, Ayrton Amorim) – Interpretação: Alaíde Costa e Milton Nascimento
  3. “Os Povos” (Milton Nascimento, Márcio Borges) – Interpretação: Milton Nascimento
  4. “Saídas e Bandeiras nº 2” (Milton Nascimento, Fernando Brant) – Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
  5. “Um Gosto de Sol”  (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – Interpretação: Milton Nascimento

Lado D

  1. “Pelo Amor de Deus” (Milton Nascimento, Fernando Brant) – Interpretação: Milton Nascimento
  2. “Lilia”  (Milton Nascimento)- Interpretação: Milton Nascimento
  3. “Trem de Doido” (Lô Borges, Márcio Borges) – Interpretação: Lô Borges
  4. “Nada Será Como Antes” (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos)  – Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
  5. “Ao Que Vai Nascer” (Milton Nascimento, Fernando Brant) – Interpretação: Milton Nascimento

 

Documento: III Festival da MPB 1967 – A Grande Final (TV Record)

Resultado de imagem para Festival de Música Popular Brasileira 1967

Um dos programas musicais que mais me marcou quando ainda era criança (tinha 11 anos) foi oFestival de Música Popular Brasileira de 1967, a terceira edição do Festival de MPB organizado pela TV Record de SÒ Paulo. Ele aconteceu entre 30 de setembro e 21 de outubro de 1967, no Teatro Record Centro, em São Paulo, com apresentação de Sônia Ribeiro e Blota Júnior.

Quem não assistiu não tem ideia do impacto que ele causou em todo país. Uma nação acostumada a cantar boleros, mal iniciada na Bossa Nova e na Jovem Guarda foi de repente invadida por uma série de conceitos musicais novos. A música podia ser tradicional, o samba modernizado, o rock abrasileirado, a música brasileira eletrificada, as letras passaram a retratar o cotidiano, a propiciar o protesto e a esperança. Se como apenas isto já não bastasse toda uma geração de gênios musicais estava sendo lançada, ou consagrada ali: Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marília Medalha, MPB-4, Mutantes, Elis Regina, Jair Rodrigues, Nara Leão, Dori Caymmi, Roberto Carlos,  foram apenas algumas das atrações  envolvidas na disputa.

Para mim era impossível escolher a melhor e o público se dividiu e torcia como em uma partida de futebol, aplaudindo e cantando as suas favoritas e vaiando intensamente as suas concorrentes. A canção vencedora do festival foi “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, interpretado pelo primeiro e por Marília Medalha. Para vocês terem uma ideia, foi neste festival que  foram apresentadas originalmente  Alegria, Alegria, de Caetano Veloso; Roda Viva, de Chico Buarque e Domingo no Parque, de Gilberto Gil, esta última sendo considerada marco inicial da Tropicália.

E o melhor, a Grande Final foi preservada, e pode ser assistida na íntegra. Eu me diverti muito revendo este programa que agora trazemos para vocês:

MPB Histórias: Faustino Teixeira -Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo)

Meu amigo Faustino postou hoje esta história e a sua interpretação para o clássico de Lamartine Babo. Vamos pegar uma carona, tá mestre Faustino:

“Conta-se que, em 1935, Lamartine Babo, que morava no Rio de Janeiro e estava no auge da sua carreira, recebeu uma carta de uma moça, Nair, de Boa Esperança, Sul de Minas, que lhe disse que era sua fã, que o admirava muito e que queria manter uma correspondência com ele.
Lamartine, atenciosamente, lhe respondeu agradecendo os elogios e lhe disse que aceitava, sim, manter uma correspondência com ela.
Alguns dias depois, nova carta da moça e nova resposta de Lamartine.
Mais alguns dias, outra carta e depois outra e mais outra e assim por diante.
Com o tempo, a correspondência foi avolumando-se e surgiu um clima amoroso entre eles. Pode ter havido, mesmo, uma paixão nas “entrelinhas”, segundo uma das versões.
Com mais de um ano de correspondência, Lamartine teria manifestado o seu desejo de ir à Boa Esperança para conhecer Nair, pessoalmente, quando ela lhe escreveu dizendo que iria se casar com um primo e mudar-se para São Paulo dando por encerrada, definitivamente, a correspondência entre eles e “que tudo não havia passado de um sonho impossível”, segundo uma das versões.
Mas, Lamartine não desistiu e, algum tempo depois, partiu para Boa Esperança ao encontro da amada, na maior aventura amorosa da sua vida.
Mas, lá chegando, qual não foi a sua surpresa…a moça não existia. Nunca existiu. Era um dentista da cidade quem, em tom de brincadeira, lhe escrevia.
O dentista, que era músico também, colecionava fotos de músicos e compositores famosos daquela época, utilizando-se deste recurso.
Ao perceber a angústia e o desalento do ilustre visitante à procura do seu grande amor na pequena cidade do interior mineiro, uma familiar do dentista, que morava no hotel onde Lamartine estava hospedado, contou-lhe toda a verdade.
Lamartine, diante da inusitada trapalhada, com paixão e toda a tristeza que se abateu sobre ele, não fez outra coisa que não compor uma das mais belas canções da música popular brasileira, música e letra, e deu-lhe o nome de “Serra da Boa Esperança”.
Lamartine conheceu o dentista e, sem ressentimentos, tornaram-se amigos.
A música foi gravada, pela primeira vez, em 1937, pelo grande cantor do rádio, daquela época, Francisco Alves.

Eu me lembrei desta história quando um colega de turma, da faculdade, me contou como a vida foi dura com ele e lhe trouxe tão grandes sofrimentos.
Fiquei comovido quando, no final da nossa conversa, ele me disse:
“Hoje eu sou um homem triste, mas ainda sou capaz de sorrir”.

Foi quando eu quis fazer um arranjo para esta música.

Nesta gravação, um pássaro insistiu em me acompanhar.
Eu parava de tocar, ele parava de cantar.
Eu voltava a tocar e ele, imediatamente, voltava a cantar.
Assim sendo, eu lhe disse: “Tudo bem. Então, vamos juntos, vida afora, levando a nossa música para quem dela quiser se servir.”

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: