Memórias: Rádio Cultura AM 830 – Belo Horizonte

Outro dia, aqui no Vitrola falamos da Rádio Mundial e do Big Boy. Contamos como era difícil sintonizar a Mundial depois da meia-noite, cheia de chiados, só para escutar os últimos lançamentos nacionais e internacionais. Mas nós, aqui em BH, tínhamos uma alternativa – a Rádio Cultura, sintonizada em claríssima ondas médias (AM) 830 Khz. Era nela que ouvíamos outra vez, e conferíamos  os lançamentos que tinhamos mal escutado na Mundial.

A Cultura era uma mania de todos jovens, aqui em BH

Um dos programas mais esperados era o “CASH BOX” , de 14 às 17hs de segunda às sextas e que aos domingos, que tocava todo o Top 100 da parada de singles da Billboard. O locutor era  o Jorge Márcio e seu bordão : ” Seu rádio tá pegando fogo bicho?”   A música  tema do programa se chama Heya e quem canta é J. J. Light, um índio navajo que era baixista no Sir Douglas Quintet e gravou a música em 1969, com a participação de Jim Gordon, Early Palmer, Joe Osbourne e Larry Knechtel, além do guitarista Ron Morgan e Gary Rowles.

Relembre:

O outro locutor famoso na rádio era o Oliveira Rangel que falava: -Cuuullturaaa… enquanto tocava a música. Inesquecível! O programa mais conhecido do Oliveira Rangel era programa  que ia ao ar nos sábados e chamava-se :”CULTURA, BACK GROUND”

Outro grande sucesso da Cultura era o programa que começava diaramente às 22:00 e terminava às 00:oo  – chamava-se “Cultura Ritmos da noite”, era apresentado pelo Jorge Márcio,só tocava Rock e a vinheta de abertura era a seguinte música:

MÁRCIO SEIXAS

A terceira voz famosa da Rádio Cultura era a de Márcio Seixas, muito conhecida no Brasil, por que durante muito tempo foi o anunciante dos episódios das séries dubladas na Herbert Richers. Márcio ministra cursos de locução e leitura livre no Rio de Janeiro com turmas especiais para interessados vindos de outros estados do Brasil. É conhecido por dublar Raúl Juliá e Morgan Freeman na maioria de seus filmes. A última notícia que tive de Jorge Márcio foi triste, e falava de sua morte, em consequência de um tiro recebido. Do Oliveira Rangel não tenho notícias.

A Rádio Cultura lançou discos de vinil com músicas de sua programação, mas não tenho informações sobre suas faixas

Infelizmente, a Rádio foi comprada em 2004, pela Igreja Católica e hoje transmite apenas programas religiosos. É os bons tempos se foram.

Quer escutar rock no rádio hoje ? Desista ! Mesmo nos EUA várias rádios especializadas no velho e bom rock’n roll fecharam nos últimos anos…Voltaremos ao assunto em breve.

ENSAIO: Big Boy e a Rádio MundialAM 860

Este ensaio é para quem tem mais de 4o anos, mas os nossos leitores mais jovens podem também se deliciar, se tiverem curiosidade e paciência.

Anos 70. Não havia mp3, internet, a TV a cores estava começando, e mesmo o rádio era AM, em sua grande maioria, apenas algumas poucas emissoras FM operavam, ainda em carater experimental.  E a música pop, junto com o rock estava na sua melhor fase, com “zilhões” de novos ritmos, novas bandas, novas músicas,  aparecendo ao redor do mundo.

O que fazer ? Quando ligávamos a televisão, o mais avançado que podíamos ver era a Jovem Guarda ou a Rita Pavone. As rádios tocavam um pouco de MPB (altamente censurada) e a musiquinha pop mais descartável do planeta (muitas músicas em inglês na época, trilhas de novela e filmes nacionais eram compostas e gravadas aqui mesmo por artistas nacionais). Claro que existiam os grandes lançamentos (Beatles,Rolling Stones e Cia), mas um LP (Long Playing ou vinil ou um compacto (single)) demoravam de 3 a 12meses, após seu lançamento,  para chegarem, em quantidade reduzida no mercado nacional (isto quando eram lançados)

Qual a saída?

Ela veio do Rio de Janeiro. Um cara muito louco, chamado Newton Alvarenga Duarte, colecionador inveterado de músicas (tinhauma coleção que chegou a 20 mil discos ), conseguiu encaixar um programa de “lançamentos internacionais”, inicialmente na rádio Tamoio do Rio e mais tarde, já com grande repercursão, passou a ser o principal programador da Rádio Mundial AM também do Rio.

Todas as noites, após a meia-noite, com sua voz característica apresentava músicas inéditas dos Beatles e todo tipo de música onde promoveu o RB , Blues  e claro, o melhor do Rock’n Roll .Seu programa era campeão de audiência, não só das  noites cariocas, mas em todo o Brasil. Aqui em BH, era possível, após a meia-noite, quando a potente Rádio Inconfidência desligava sues equipamentos, escutar com muito chiado e boa vontade o Programa do Big Boy, o que eu e meu inseparável e saudoso amigo Antônio Carlos fazíamos, com frequência, ao menos nos finais de semana, para nos mantermos atualizados. Meia noite e no ar o famosoo famoso jargão :

Aqui fala BIG BOY apresentando a Mundial é show musical )  que era patrocinado pelo VIPS motel que acho que ainda existe até hoje no Rio.” Big Boy apresentava também ao lado de Ademir (DJ da época) apresentava o Baile da Pesada ao vivo nas noites cariocas e que depois tinham suas trilhas  lançadas em LPs.

Ao longo de toda sua vida profissional, Big Boy continuou ampliando sua coleção. Em diversas viagens a outros países apurou seu acervo, buscando raridades como “discos piratas” de tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de 20 mil títulos, entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, musica francesa, trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy constitui-se num acervo cultural importantíssimo, pois retrata vários períodos do cenário discográfico mundial e, mais do que uma coleção, trata-se da síntese do trabalho de um profissional que ousou inovar.

Como tudo que é bom acaba cedo, morreu aos 34 anos, sufocado por um ataque de asma, num quarto de hotel em São Paulo. Fica a saudade e para nós mais velhos a gratidão por ele ter nos apresentado centenas de músicas e músicos que não teríamos como conhecer na época

LONGA VIDA BIG BOY! Para o Vitrola você é imortal

DISCOGRAFIA:

LPs onde Big Boy selecionava o repertório e gravava locuções e vinhetas que eram mixadas às faixas, recriando uma parte do repertório tocado nos Bailes da Pesada:

  • Baile da Pesada” (1970);
  • Big Baile” (1971);
  • Baile da Cueca” (1972);
  • The Big Boy Show” (1974).

Assista ao Documentário (Vale a pena):

Se você quiser ter uma amostra de alguns dos sucessos lançados por Big Boy , procure no nosso Blog parceiro Raras Músicas

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