Crítica: Minas e os Beatles: Cine Brasil, Belo Horizonte – 10/12/15

minas e os beatles 2015

Cotação: ****

Foi uma delícia ! Um show de mineiridade, simpatia, competência e simplicidade ao som e inspirados pelas canções dos Beatles. No palco grandes nomes da música mineira e brasileira, capitaneados pelo músico, especialista em covers dos Beatles Aggeu Marques. Entre tantos bons momentos pudemos ouvir Telo Borges, que se destacou com sua Vento de Maio, Cláudio Venturini que mostrou por que é considerado um dos melhores guitarristas do Brasil e deu um show tocando lindos solos, acompanhando Aggeu em While My Guitar Gently Weeps, Tavito e sua Rua Ramalhete, acompanhado de outro excelente músico e guitarrista , Afonsinho, Flávio Venturini cantando uma versão de Rita Lee para In My Life, Fernanda Takai e uma versão a la Carpenters de Mr Postman, sempre acompanhados pela banda, especialista em Clube da Esquina, Fio da Navalha. Depois do show, é difícil não acreditar que os Beatles nasceram em BH e que Liverpool fica lá pros lados de Santa Tereza.

 

 

Os Incríveis Anos 70: The Beatles – A Day In The Life

Que outra década comportaria uma música como  A Day in The Life ? (obs. embora ela tenha sido gravada em 1967, ela já antecipava o que aconteceria nos anos 70) Ela foi uma das poucas canções que individualmente contribuiu para mudar o curso da chamada música popular. Gravada entre janeiro e fevereiro de 1967, contou com uma grande orquestra que foi montada para os surpreendentes floreios e preenchimentos adicionais, que acompanham a música, embora a princípio os 40 músicos de formação clássica tenham ficados relutantes com o conceito que lhes era solicitado tocar.

George Martin e Paul regeram a orquestra e ajudaram a criar uma faixa que quando  terminada foi mais do que apenas diferente, era absolutamente única. A partir da bela canção de John, o resultado final foi algo simplesmente inacreditável. Como você pode ver a partir do filme, esta não era uma sessão de gravação normal. Os músicos clássicos, que haviam sido convidados a vestir-se a rigor, usaram narizes falsos, chapéus engraçados e geralmente entraram no espírito da ocasião. Filmado entre 20:00-01:00 com convidados, incluindo Mick Jagger e Keith Richards, a ocasião forneceu inspiração para o que aconteceu durante a gravação e filmagem de “All You Need Is Lovepara o projeto Our World. (Texto da Vevo)

A coleção de vídeos The Beatles 1 Video Collection será lançada dia 01/11/15. Pre-ordens:  http://thebeatles1.lnk.to/DeluxeBluRay

Para finalizar a letra original e traduzida

A Day In The Life

(Sugar, plum, fairy
Sugar, plum, fairy)

I read the news today, oh, boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph

He blew his mind out in a car
He didn’t notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They’d seen his face before
Nobody was really sure if he was from the house of lords.

I saw a film today, oh, boy
The english army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had a look
Having read the book
I’d love to turn you on

Woke up, fell out of bed
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup
And looking up I noticed I was late

Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke
And somebody spoke and I went into a dream

I read the news today, oh, boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall
I’d love to turn you on
Um Dia Comum

(Açúcar, ameixa, fada
Açúcar, ameixa, fada)

Eu li as notícias de hoje, oh, garoto
Sobre um sortudo que ganhou na loteria
E embora as notícias fossem um tanto tristes
Bem, não pude deixar de rir
Eu vi a fotografia

Ele arrebentou a cabeça num carro
Não tinha percebido que o semáforo havia ficado vermelho
Uma multidão parou e o encarou
Já tinham visto seu rosto em algum lugar
Mas ninguém tinha certeza se não era um senador.

Eu vi um filme hoje, oh, garoto
O exército inglês acabava de vencer a guerra
Uma multidão foi embora
Mas eu tive de olhar
Tendo lido o livro
Eu adoraria te excitar

Acordei, caí da cama
Passei um pente pela minha cabeça
Desci as escadas e tomei um café
E olhando para cima, vi que estava atrasado

Achei meu meu casaco e peguei meu chapéu
Subi no ônibus segundos depois
Subi as escadas e fumei um cigarro
E alguém falou, e eu entrei em um sonho

Eu li as notícias de hoje, oh, garoto
Quatro mil buracos em Blackburn, Lancashire
E embora os buracos fossem bem pequenos
Eles tiveram que contá-los um a um
Agora sabem quantos buracos são necessários para encher o Albert Hall
Eu adoraria te excitar

Curiosidade: Solo inédito de Harrison

Em 2011, enquanto escutavam uma das muitas gravações feitas no estúdio para “Here Comes The Sun”, Dhani Harrison, Sir George Martin, e seu filho Giles Martin descobriram  um solo de guitarrra de  George que não foi usado na mixagem final. Subitamente Dhani abriu um canal que continha o solo de guitarra perdido. O momento foi documentado em vídeo e você pode acompanhar esta interessante descoberta:

Curiosidade: In Spite of All the Danger ( A única parceria McCartney-Harrison)

In Spite of All the Danger Label.jpg

Ainda com respeito ao filme Nowhere Boy, comentado no Raras Ideias, mais uma curiosidade, em uma determinada cena, Paul, John e George cantam uma bela e quase desconhecida canção : In Spite of All the Danger, a única parceria conhecida de Paul e George. A música foi gravada pelos The Quarrymen, o conjunto  dos três que antecedeu os Beatles, mais o pianista John Lowe e o baterista Colin Hanton, num  sábado – 12 de Julho de 1958 (três dias antes da morte da mãe de Lennon, que inclusive teria ajudado a pagar pela gravação ). A gravação foi feita no estúdio doméstico de  Percy Phillips, em  Liverpool e custou 17 shillings e seis pences. Apenas uma cópia de  “That’ll Be the Day” e “In Spite of All the Danger” foi feita, e cada membro da banda ficava com o disco de acetato por uma semana. Lowe foi o último a ficar com a cópia, e a manteve por quase 25 anos.  Em 1981, Lowe tentou vendê-la num leilão, mas McCartney negociou e a comprou.McCartney, com engenheiros de som, restaurou muito do som original da gravação, e então fez cerca de 50 cópias  do single e o distribuiu para amigos e familiares. Em  2004, a revista Record Collector cotou a gravação original como o disco mais valioso que existe, estimando seu valor em  £100,000, as cópias feitas por McCartney, em 1981, vêm em segundo lugar a lista,cotadas a   £10,000 cada.

In Spite of All the Danger” só foi disponibilizada ao público em 1995′ no álbum Anthology 1, junto com a gravação de  “That’ll Be the Day“. A versão de  Anthology é mais curta (2:44) do que a original original (3:25). Em 2005, na sua turnê mundial, McCartney tocou a música,pela primeira vez ao vivo, para uma grande audiência.

A cena da gravação no filme:

e a gravação original

 

 

Era Pré MTV

O Paulo Souza lembrou de dois “clipes” da era pré-MTV, que nos são muito caros. Sim, turma mais nova, antes da MTV o videoclipe já existia – o que a MTV fez foi juntá-los todos num só canal e tocá-los durante sua programação como se fosse uma estação de rádio – uma “rádio de sucessos, formato top 40 visual”.

Dito isto vamos os clipes do Paulo: são os créditos de abertura de um filme e de uma série de TV

Com Steppenwolf:

E, dando os créditos a quem de direito,  com música de David Rose, executada por Jay Livingston & Ray Evans.

Mas relembrando daqueles tempos, temos alguns dos reais precursores dos videoclipes:

The Monkees

e os Beatles:

TOP TOP: The Beatles

O TOP TOP é uma coluna inspirada naquele legendário programa da MTV (e que eu particularmente adoro!) em que os VJs Leo Madeira e Marina Person listam um TOP 10 de vários assuntos interessantes e bizarros. Como eu não sei se o programa ainda existe (e se existe, eu com minha vida de proletariado, não consigo mais assistir) resolvi ressucitá-lo aqui na nossa vitrola.

Ainda em clima de Beatles, na onda do show do Paul, e nesse vício que nunca acaba que é a “beatlemania”, resolvi citar o MEU TOP TOP (deixo bem claro que é o meu, aberto a sugestões, críticas, elogios e outras coisas mais) das músicas destes que são um dos meus maiores (senão os maiores) ídolos.

Deixando a “babação” de lado aqui segue o TOP 5 da Marina Sousa para The Beatles:

Nº5: Hey Bulldog (John Lennon/1969)

Não há nada demais na letra, nenhum exagero a lá John Lennon. A música é simplesmente minha nº5 do TOP TOP por seu pianinho delicioso no começo, além de um baixo sedutor de Paul. E é claro, o refrão é uma delícia de cantar: “You can talk to me, if you’re lonely you can talk to me…”

 

Nº4: I Me Mine (George Harrison/1970)

“I Me Mine” é uma música que começa a descrever o fim dos Beatles. Não que isto seja um ponto positivo para a banda, mas talvez serviu para que George tivesse mais espaço como músico e autor de boas músicas. A guitarra no início da música caracteriza “I Me Mine” como uma canção de Harrison, e a mudança de ritmo do início para o refrão é um luxo a parte, adoro! E uma observação interessante, John não participou da gravação desta música, será por isto que ela soa tão leve? (eu e minhas implicâncias com John =p )

 

Nº3: Golden Slumbers, Carry That Weight, The End (Paul McCartney/1969)

Eu me dei o direito de escolher 3 músicas em uma posição. Especialmente porque elas propositalmente se completam, em mais uma genialidade de McCartney. Estas não são as únicas músicas do quarteto que se completam, porém são minhas favoritas. Golden Slumbers e Carry That Weight se encaixam tão bem que quando você escuta o Abbey Road não percebe que trocamos de faixa. The End talvez não se encaixe tão bem quanto as outras (e era para ser a música final do LP se não fosse a inclusão de Her Majesty), mas merece destaque por permitir que os fab four mostrassem suas habilidades músicais: John, Paul e George oscilando em solos de guitarra e Ringo se destacando em um maravilhoso solo de bateria. E é claro, termina com uma das mais belas frases (mas a cara de John) entoada pelos Beatles: “And in the end, the love you take is equal to the love you make”.

 

Nº2: Yer Blues (John Lennon/1968)

Este lado B do White Album é a prova de que John Lennon não era só um letrista chato, mas era um grande músico. Um blues, delicioso, para nenhum BB King, Eric Clapton ou qualquer outro botar defeito. Letra simples, boa guitarra, e bom acompanhamento de baixo e bateria. Precisa mais do que isto John? E olha, você entrou no meu top 2! =p

Nº1: A Day In Life (Lennon/McCartney/1967)

Foi difícil escolher a nº1. Mas ultimamente tenho apreciado as músicas dos Beatles que tem mudanças de ritmo, de harmonia e de cara. “A Day In Life” é isto. É John e Paul, é o poético e o pop, o alegre e o triste, é a prova de que eles eram essenciais juntos, porém nitidamente diferentes. Não há quem não se emocione com o “oh boy” de John na primeira frase da música, e quem não mexa os pezinhos de alegria na hora que entra Paul e seu piano inconfundível. Além de ser a primeira música com a entrada de uma orquestra na melodia. É por isto que ela é meu TOP 1.

 

É claro que o TOP TOP (especialmente dos Beatles), é mutável, afinal meu gosto é que nem roupa, muda todo dia, e cada dia gosto de algo mais ou menos. Mas a essência está ai! E ai? Qual é o seu TOP TOP dos Beatles?

 

Paul McCartney no Morumbi

Nosso queridissimo ex-beatle e dono de uma carreira solo de sucesso, Sir Paul McCartney, esteve no Morumbi, em SP, no final de semana, como dissemos em alguns posts atrás. A turma dos Sousas esteve por lá, e vou deixar aqui algumas de minhas impressões (que acho que batem com a dos meus familiares).

Paul não é só um ex-beatle de sucesso. Paul é um “showman”, e mais do que isto, é um “showman” que sabe o que faz e que ama o que faz. É incrível como para ele ser um popstar é sinônimo de prazer (e isto desde a época dos beatles). Paul sempre gostou dos holofotes, e vamos concordar, os holofotes sempre gostaram dele.

Esbanjando simpatia Paul fez um show para qualquer beatlemaníaco (como nós sousas somos) não botar defeito, e para aqueles que foram somente apreciar a vinda de uma estrela ao Brasil, estes também sairam satisfeitos. Ele viajou entre músicas dos Beatles (seus grandes hits, dando também espaço a “Something” de George Harrison – com direito a ukelelê e tudo – e de “A Day In Life” -um dos grandes sucessos Lennon/McCartney- e “Give Peace a Chance” de John Lennon), hits da época de Wings (como “Jet”, cantada em coro pela plateia) e hits da carreira solo.

Paul ainda veio acompanhado de uma banda a sua altura, que vem em turnê com ele há 10 anos. O baterista Abe Laboriel Jr além de brincar com a plateia (dançando no fundo ao som de Dance Tonight) deu um show a parte em uma de minhas favoritas de Paul na época dos Beatles, a música “The End”. Aquele é um solo de bateria para ninguém botar defeito (e para contestar aqueles que acham Ringo um péssimo músico). Os outros não ficaram atrás: Paul Wickens no teclado, Brain Ray no baixo e guitarra e Rusty Anderson na guitarra (este também mostrando sua boa atuação em “Live and Let Die” e “Helter Skelter”).

Falando em “Live and Let Die”,  talvez este tenha sido o momento em que mais me surpreendi no show. Eu sabia dos jogos de fogos de artificio, chamas saindo do palco e imagens rápidas no telão, mas devo assumir que foi realmente impressionante. Paul transformou a música, que não é lá estas coisas, em um mega hit, digno de qualquer superstar da música pop.

Portanto para celebrar o momento deixo com vocês uma mostrinha do show com, é claro, um trecho de “Live and Let Die”:

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