Vitrola dos Sousa: Músicas do Mundo : O que há por trás da canção Guantanamera ?

Todo mundo conhece Guantanamera, talvez a canção cubana mais conhecida e cantada no mundo. Mas qual a sua motivação ? Afinal de onde surgiu Guantanamera. Abaixo a tradução do poema que foi usado (em parte) na letra de Guantanamera

Versos Sencillos I (José Martí)

Eu sou um homem sincero De onde cresce a palma E antes de morrer-me quero Deixar meus versos da alma. Eu venho de todas as partes, E para todas as partes vou: Sou arte entre as artes, E nos montes, monte sou. Eu sei os nomes estranhos Das ervas e das flores, E de mortais enganos, E de sublimes dores. Tenho visto na noite escura Chover sobre minha cabeça Os raios da luz mais pura Da divina beleza. Ali nascer vi em os ombros Das mulheres mais formosas: E sair dos escombros, Voando as mariposas. Tenho visto viver um homem Com um punhal no costado, Sem dizer jamais o nome Daquele que o tinha matado. Rápida como um reflexo, Duas vezes vi a alma, duas: Quando morreu o pobre velho, Quando ela me disse adeus. Tremi uma vez – sobre a telha[2] Na entrada da vindima, -[3] Quando a bárbara abelha Picou a face de mi’a menina[4] Gozei uma vez, de tal sorte Que igual gozei nunca: Quando da sentença de minha morte Leu o alcaide chorando. Ouvi um suspiro, através Das terras e do mar, E não era um suspiro. – era Que meu filho vai despertar. Se dizem que do joalheiro Tome a joia melhor, Tomo a um amigo sincero E ponho a um lado o amor. Eu vi uma águia ferida Voar no azul sereno, E morrer em sua guarida A víbora do veneno. Eu sei bem que quando o mundo Cede, lívido, ao descanso, Sobre o silêncio profundo Murmura o arroio manso. Coloquei a mão ousada De horror e júbilo rija, Sobre a estrela apagada Caiu frente a mi’a cornija.[5] Oculto em meu peito bravo A pena que nele me fere: O filho de um povo escravo Vive por ele, cala e morre. Tudo é formoso e constante, Tudo é música e razão, E tudo, como o diamante, Antes que luz é carvão. Eu sei que o néscio se enterra Com grande luxo e grande pranto, E que não há fruta na terra Como a do campo-santo. Calo, e entendo, e me deixo Na pompa do rimador: Penduro num seco seixo[6] Meu guarda-pó de doutor. Notas

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