Crítica: Ian Anderson – Jethro Tull – The Rock Opera: Palácio das Artes – 11/10/15

Ian Anderson (ao centro) leva adiante o nome de uma banda que consagrou hits como 'Locomotive breath' e 'Aqualung' ( ArtBHz/Divulgação )

Cotação : ****1/2

A maior parte dos espectadores que foi ao Palácio das Artes, na noite de domingo, para assistir a um show do Jethro Tull saiu um pouco decepcionada. Embora o Palácio das Artes fosse um palco perfeito para receber o novo espetáculo de Ian Anderson, tivemos que conviver com  uma plateia claramente desinformada sobre o que iria assistir. O estranhamento já começou com a presença de um  telão ao fundo, que foi perfeito para o projeto que Anderson queria colocar no palco, mas estranhado por grande parte dos espectadores. A sincronia foi perfeita, o som perfeito, mas poucos os presentes sabiam  que o objetivo de Ian era contar a história de Jethro,  um agricultor inglês, considerado um dos pais da chamada agricultura científica. Jethro Tull viveu entre os séculos 17 e 18, durante a Revolução Industrial, e foi dele que a banda tirou seu nome, daí a justa homenagem. A ópera mistura aspectos da vida do agricultor e sua pesquisa, com fatos da vida do próprio Ian Anderson, trazendo a narrativa para os dias de hoje. A meu ver a falha foi da organização, pois quando se vai a uma ópera (ou a um espetáculo conceitual) é absolutamente necessário que a apresentação venha acompanhada de um libreto (como nas óperas), que apresente a todos a linha mestra da história que vai ser encenada (cantada).

O show abriu com “Heavy Horses” e foi seguida por uma uma remontagem dos sucessos do Thull, com modificações da estrutura e das letras de algumas músicas, sempre encaixando bem as vozes dos seus convidados, com destaque para a belíssima voz da soprano Unnur Birna Björnsdóttir, que ajudou a transformar  as músicas em uma ópera. Também foram produzidas diversas novas músicas como  “Stick, Twist, Bust”e a excelente  “And the World Feeds Me”. Mas a banda também respeitou os seus fãs, encaixando na história muitos de  seus clássicos. Não faltaram  “Aqualung”, Songs From the WoodLiving in the Past, A New Day Yesterday e  até “Locomotive Breath”. Destaque para o solo de guitarra em “Aqualung” e para a impressionante. “Locomotive”, que foi apresentada integrando a música com uma viagem pelos trilhos da Inglaterra, exibida no telão ao fundo. De matar de saudades quem já passou algum tempo na Inglaterra, viajando de trem para todos os cantos.

Alguém pode ter estranhado e mesmo reclamar do extenso uso de áudio gravado, e talvez alguém possa achar que fosse interessante que os cantores originais estivessem presentes,  mas, quem sabe, não. Não consigo imaginar a apresentação sem a complementação do telão. Uma coisa é certa: o show foi excelente. No bis, a banda tocou  “Bouree”, música de Bach que virou uma das marcas registradas do Tull. Quem não foi perdeu a chance de assistir um espetáculo único, apresentado por artistas excepcionais e que fez com que pudéssemos matar a saudade desta banda marcante que é o Jethro Tull

Banda:
Ian Anderson – Voz, Flauta, Bandolim
David Goodier – Baixo
John O’Hara – Teclado
Florian Opahle – Guitarra
Scott Hammond – Bateria

No telão: Ryan O’Donell, Unnur Birna Björnsdóttir

Setlist:
Heavy Horses
Wind-Up
Aqualung
With You There to Help Me
Back to the Family
Farm on the Freeway
Prosperous Pasture (nova música)
Fruits of Frankenfield (nova música)
Songs From the Wood
And the World Feeds Me (nova música)
Living in the Past
Jack-in-the-Green
The Witch’s Promise
Weathercock
Stick, Twist, Bust (nova música)
Cheap Day Return
A New Day Yesterday
The Turnstile Gate (nova música)
Locomotive Breath
Bis:
Requiem and Fugue (medley de “Requiem” do Jethro Tull, “Fugue” de Bach e “Bouree”)

Fiquem com a bela Locomotive Breathe, apresentada aqui no mesmo formato que no show do Palácio das Artes, inclusive com os vocais de Ryan O’Donel, que no teatro só é visto no telão:

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