Memória: Lincoln Olivetti

O maestro, compositor e produtor musical Lincoln Olivetti (Foto: Reprodução/Facebook)

Mais um que nos deixa precocemente. Morreu, com apenas 60 anos, de infarto fulminante, o músico e arranjador Lincoln Olivetti. Olivetti foi um verdadeiro midas da indústria fonográfica no final da década de 70 e início da década de 80. É impossível pensar em música brasileira comercial de qualidade, naquela época, sem falar em Lincoln. Segundo Ed Motta, em sua página no Facebook ,  Olivetti foi “o cara que formatou a música brasileira no padrão de disciplina gringo, na forma de compor, arranjar, tecnicamente em qualquer sentido etc”.

Realmente havia um padrão Olivetti, que longe de pasteurizar a música brasileira, como ele chegou a ser acusado, colocava-a em alto nível, para poder competir com qualquer arranjo, feito em qualquer lugar do mundo. E foi um rosário de sucessos: o primeiro foi com “Chega Mais”, de Rita Lee, em 1979, seguido, em 1980 , de “Lança Perfume” – considerada uma obra-prima na carreira de Rita. Olivetti também produziu e arranjou grandes sucessos de Gal Costa, como “Festa do Interior” e “Meu Bem Meu Mal”, Roberto Carlos em “Amor Perfeito”, Gilberto Gil em “Palco”, Zizi Possi em “Um Minuto Além”, Marina Lima em “Só Você” e Tim Maia em “Você e eu, eu e você”, “Acenda o Farol” e “Está difícil de esquecer”.

Qual era o segredo de Olivetti ? Ele foi  um dos pioneiros no Brasil a usar sintetizadores e elementos eletrônicos na música, e na virada dos anos 80, usou uma mistura  de música brasileira, com a  disco music e  amúsica negra american e assim praticamente criou o pop brasileiro.Garanto que você dançou muitas destas músicas, nestes arranjos inesquecíveis.

Também participou  como compositor ou intérprete, de trilhas sonoras de novelas de sucesso, como “Dancin’ days” (1978), “Baila comigo” (1981), na qual tocou o tema de abertura ao lado de Robson Jorge, “Mandala” (1987), “Feijão maravilha” (1979) e “Plumas e paetês” (1980). Lincoln trabalhou também com Emílio Santiago, Marcos Valle, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Angela Rôrô, Sandra de Sá, Jorge Ben Jor, Fagner, Wando e Joana. Segundo o UOL : “Foi a fase em que arranjos suntuosos, com muito teclado e metais, tomaram conta das rádios, dando a Olivetti a fama de midas da música. Fora os arranjos irresistíveis para a pista, ainda hoje seu trabalho é citado como uma das melhores gravações do Brasil”. Fica aqui a homenagem do Vitrola.

Escute Lincoln tocando nas faixas abaixo e perceba a sua influência em vários dos sucessos citados:

1 comentário

Arquivado em Lincoln Olivetti, Tributo

Uma resposta para “Memória: Lincoln Olivetti

  1. Carlinhos Barros Santos

    É uma pena um talento raro com o Lincoln Olivetti partir assim tão cedo.
    A música pop brasileira deve muito ao seu perfeccionismo e competência.
    Os arranjos de “Lança Perfume”, da Rita Lee, e de “Palco” , do Gilberto Gil, são excepcionais, obras-primas dessa brilhante carreira!!!

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