Crítica: Paul McCartney – Turnê “Out There”

Eu não imaginaria estar escrevendo esta crítica aqui hoje, mas estou. Sim ele veio falar “uai”. Sir Paul McCartney, em carne, osso e muita simpatia, como sempre, abençoou finalmente esta terra carente de megashows que é Belo Horizonte. Finalmente provamos, após grande força popular (e mérito da petição no facebook chamada “Paul Vem Falar Uai”) que nossa BH está entrando para a rota da música mundial.

O que vi ontem foi uma cidade em frisson, mas também quem não ficaria? É o Paul meu povo! É o que temos de mais próximo aos Beatles hoje (com meu TOTAL respeito a Ringo Starr que também faz shows extraordinários, mas não segue a linha histórica de Paul).

Lamento muito ainda a falta de estrutura da “Toca 3″‘ (foi mal atleticanos, a casa ainda é só nossa) e a falta de preparo da produtora para receber tamanho evento. A toda hora eu podia ouvir o clássico comentário “este é o país da copa”, pois eram filas intermináveis, comidas e bebidas caras, instrutores que não instruiam nada e por ai vai. O meu setor, a cadeira inferior roxa, tinha somente um local de entrada e saída…imaginem o caos? Ouvi falar que até a pista premium teve seus perrengues por ai. Mas ninguém desistiu afinal, pelo sir Macca, vale tudo, até confusão num sábado a noite.

Paul entrou pontualmente (como todas as outras vezes) às 21:30. E eu amo essa pontualidade britânica, é só mais um charme de Sir Paul. E entrou logo chutando tudo com a clássica “Eight Days a Week”, um presente para os Beatlemaniacos presentes no local (eu diria 90% do público presente). Apesar de um começo morno, pois logo depois ele emendou “Junior Farm” que não era de grande conhecimento do público belorizontino, ele levantou a platéia com “All My Loving”, logo resgatando bons tempos do ié ié ié e mexendo todo o Mineirão.  Brincou muito, eram várias frases em português e mineirês como “Trêm bão demais” e o esperado “Uai”…espero mesmo que tenham contado a ele o porque de falarmos tanto “uai’, afinal nada mais inglês que esta expressão mineira.  Um momento mais introspectivo se prolongou após “Listen to What The Man Said”, “Let Me Roll It” (grande fase de Macca com Wings), “Paperback Writer”, “My Valentine” (do belíssimo Kisses on The Botton, um presente para os casais apaixonados e com direito a Jonnhy Deep e Natalie Portman no vídeo), “The Long and Winding Road”  e a inesperadíssima ‘Maybe I’m Amazed”, em homenagem eterna a sua Linda (que dessa vez só não foi mais homenageada em respeito a atual mulher de McCartney).

A partir dai, após ter ganhado os corações da platéia (afinal como não chorar com Maybe I’m amazed?) ele trouxe “Hope of Deliverance” (mais uma novidade da turnê), “We Can Work It Out” e, pasmem “Another Day”. Esta música do album “Ram” é um lado B que fez muito sucesso no Brasil na década de 70, mas nunca deixou de ser um lado B, por isto era totalmente inesperada. Para minha alegria, da minha irmã e do meu pai (que é apaixonado com essa música), Paul permitiu que curtíssemos juntos (mas separados apenas por sentarmos em locais diferentes) esse clássico. Depois dela ainda ganhamos de presente “And I love Her”, levando muitos ao choro, a belíssima obra prima de Paul “Blackbird” e “Here Today”, em homenagem a John Lennon (linda letra, mas particularmente não uma de minhas favoritas).

Mas mais surpresas estavam reservadas para os mineiros nesta noite. Ao entoar “Your Mother Should Know”, outro clássico lado B só que da época de Beatles, Paul homenageou mulheres e mães, passando em seu telão imagens de mães famosas com seus filhos (inclusive de Lady Di com os principes ainda pequenos, que foi a que mais me marcou), já emendada com “Lady Madonna” que voltou a agitar a platéia que parecia desconhecer a música anterior. Melhor ainda foi a presença de “All Together Now”, onde era possível ver todos dançando de maneiras mais diferentes e mais desajeitadas possíveis, o que tornou a música ainda mais divertida. “Eleanor Rigby” também foi cantada a plenos pulmões por todo o estádio, “Mr Vanderbilt” com seu coro “OH HEY OH” também me fez arrepiar e ai recebemos mais um pequeno presentinho de Sir Paul: “Being For The Benefit Of Mr. Kite” tocada pela primeira vez ao vivo desde sua gravação. Era possível perceber que muitos presentes entenderam aquilo como uma nova música e não como um lado MUITO B da época de Beatles. Os beatlemaníacos (como eu) foram ao delírio. Ah Paul, você sabe mesmo ser demais.

Com o Ukelelê ele novamente homenageou George Harrisson com a lindíssima “Something” e seu guitarrista fez arrepiar até meus fios de cabelo ao entrar com o solo de George e mostrar a falta que ele faz a música mundial. “Obladi Obladá”, “Band on The Run”, “Hi Hi Hi” e “Back at The URSS” mantiveram o pique do showzaço que estavamos presenciando, até novamente sermos surpreendidos com talvez a cena mais bonita de todo o show: em “Let it Be” todo o Minerão foi iluminado por câmeras, celulares, isqueiros e o que mais tinha de luminoso e criou um belíssimo céu estrelado na terra. Não podia ser mais adequado. Chorei de emoção, e olha que nem gosto de “Let It Be”. Nesta hora fomos nós mineiros que demos o show, e até Macca reconheceu isto.

Let It Be

“Live and Let Die” foi a próxima com aquele show de pirotecnia que encanta, sem contar os jogos de luz e de câmera no telão, faz até a gente esquecer que só uma música pra um filme do 007. Depois ele fechava o show (antes dos dois bis) com “Hey Jude” para mais uma participação das luzes da platéia. Pra quem foi embora essa hora, nada a reclamar, mas ainda perderam um dos pontos altos do show. Paul voltou ao palco para a dancante “Day Tripper” já avisando que havia mais para dar, “Lovely Rita” foi outra agradabilissima surpresa para os beatlemaníacos seguida para a inconstestável “Get Back”, uma das melhores músicas do quarteto londrino, fechando o bis número 1. Para o retorno, fazendo graça com bandeiras do Brasil e Grã-Bretanha, Paul comandou o coro para “Yesterday”, radicalizou com Helter Skelter (levando sua voz ao grau máximo de esforço) e fechou o show com o MARAVILHOSO medley”Golden Slumbers-Carry That Weight-The End”. Precisava de mais? Para os fãs, sempre, mas para quem foi ver ou conhecer a lenda, Paul mostrou porque foi e ainda é o maior músico pop/rock em atividade no mundo. Showman como ele ainda não encontramos. Sorte de quem esteve no Mineirão ontem como eu.

Live and Let Die

Para nós, cruzeirenses, atleticanos, americanos, mineiros e brasileiros presentes fica só o desejo de quero mais e nosso humilde agradecimento expressado através de milhares plaquinhas de Thank you durante o “Hey Jude”. Obrigada por uma noite inesquecível Paul.

2 comentários em “Crítica: Paul McCartney – Turnê “Out There”

Adicione o seu

  1. Foi lindo demais. Paul é foda! E BH o recebeu tão bem que eu tenho certeza que ele vai voltar.
    4 de maio de 2013 – um dia que vai ficar para a história.

    Curtir

  2. Marina adorei os comentários. Valeu a pena cada minuta daquele show, ainda mais estando ao lado de meus filhos, poder proporcionar a eles tão novos esta oportunidade de experimentar o convívio com música e artista de qualidade. Inesquecível… Obrigada pelo belo texto.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: