Crítica: Lollapaloooza 2013 SP

Nossa Sousa adotada Lígia Passos foi ao Lollapalooza em SP este ano, e apresenta suas impressões para a gente!

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“Um ano depois, e lá estava eu de novo…

Se em 2012 eu só fui para ver o show do Foo Fighters, dessa vez eu estava disposta a participar da experiência musical que Lollapalooza ofereceria por 3 dias. Mesmo porque perdi a chance de ver ao vivo bandas que passei a gostar bastante depois (Foster The People, MGMT e Band of Horses). Então, numa nublada tarde de sexta-feira, calçando minhas confortáveis e impermeáveis galochas, adentrei ao Jockey Club de São Paulo.

 

O ambiente já era conhecido, mas a lama era inédita! A chuva tão comum na cidade, ainda mais nessa época do ano, não perdoou nos dias que precederam o festival, proporcionando um solo nada agradável de se movimentar, mas enfim, aquilo não era um concerto de música clássica e eu já sabia o que me esperava.

 

Cheguei a tempo de ver The Temper Trap executar sua última música, “Sweet Disposition”. A única que eu conhecia! Culpa do filme 500 Dias Com Ela.

Show encerrado, bora atravessar o Jockey até o Palco Butantã pra ver o esperado show do Cake. O que encontrei? Uma banda um tanto quanto desleixada, que subiu no palco sem setlist pré-estabelecido e com um blá blá blá bem cansativo. Acho que se John McCrea tivesse tocado mais, e falado menos ( e arrumasse um violão que não precisasse ser afinado toda hora!) teríamos um show bem melhor. Ao menos os grandes hits da banda apareceram, e ainda um belo cover de War Pigs do Black Sabbath.

De volta ao palco Cidade Jardim, começava o “viajante” show do Flaming Lips (que eu só conhecia a música Do You Realize). Confesso não estar preparada para tamanha psicodelia!!! O tal de Wayne Coyne entoava canções (dizem que a maioria inéditas) enquanto ninava uma boneca e observava os aviões em rota de pouso, inclusive chegando ao absurdo de imaginar que um deles poderia cair ali!!!

No outro palco, começava o show do Deadmau5. Eu não tenho um pingo de paciência para música eletrônica, mas fui lá ver do que se tratava. Luzes, muitas luzes e um cover de Killing in the Name Of (Rage Against the Machine). Ok! Não gostei, não vou insistir!!! Ao retornar para esperar o início do The Killers, me deparo com o Passion Pit no palco alternativo. Opa, que som legal!!! Nunca tinha ouvido falar da banda indie rock, mas pela alegria dos hipsters presentes, dava pra ver que eles eram bem queridinhos. Gostei bem do show, com musiquinhas bem felizes que já estão no meu iPod!!! Pra quem quiser experimentar, comece por Little Secrets, Take a Walk e Sleepyhead.

Agora era hora do headline do dia, e não podia ter começado melhor: Mr. Brightside logo de cara pra mostrar que o The Killers estava ali! E como estava!!! Ótimo show, com todos os hits presentes e muito bem executados, e um Brandon Flowers demonstrando que estava feliz de estar ali.

 

Segundo dia, céu azul e ensolarado e mais uma feliz descoberta: Two Door Cinema Club. Banda indie-pop-rock comandada por um ruivinho gracinha que colocou a turminha jovem pra dançar. iPod devidamente abastecido, e What You Know ficou entre as mais tocadas da minha semana!

Agora era a hora da maior dúvida de todo o festival: os ótimos mas já conhecidos Franz Ferdinand ou os ótimos e revelações Alabama Shakes???

Acabei escolhendo a novidade e não me arrependi! Brittany Howard é diva! Canta com pegada rock and roll e sensibilidade de soul music. Excelente!!! Expectativas totalmente atendidas! Não resisti e dei uma corridinha até o palco do FF bem na hora de Take me Out. Apesar de toda energia de Alex Kapranos, foi possível notar que o som não estava muito bom.

De volta ao palco Cidade Jardim, e o Queens of the Stone Age fazia o show mais barulhento dos que eu já tinha visto no festival. E que barulheira boa! Josh Homme e cia fizeram um show impecável, digno de headline de festival. Entrou pra minha lista de melhores shows da vida. E olha que eu “teoricamente” só gostava de 3 músicas deles.

Entre uma caminhada na lama, uma fila pro banheiro e um lanche, era possível ouvir Criolo entoar sua “Não Existe Amor em São Paulo” em meio a gritos e protestos contra Feliciano.

Já devidamente posicionada, aguardava ansiosamente aqueles que mais ouvi nos últimos meses: The Black Keys!!! Os primeiros acordes de Howlin’ for You abriram uma sequência de música boa, passando por toda a carreira da dupla, e claro recheada dos hits dos álbuns mais recentes Brothers e El Camino. Eu, Lígia, achei que fizeram um showzaço. Dan Auerbach arrasa na guitarra e nos vocais. Eu, fonoaudióloga, tinha algumas dúvidas sobre sua projeção vocal em grandes espaços. Mesmo sem entender nada de gravação, dá pra perceber que nos CDs há muito efeito de distorção em sua voz, mas achei que ele se portou muito bem ao vivo, atingindo notas altas no ponto. Arrisco-me a dizer que “Everylasting Light” foi o momento mais arrepiante pra mim em todo o festival. Um globo espelhado refletindo luz sobre o palco e platéia e o falsete de Dan me acertaram em cheio! Confira:


Saí do Jockey super satisfeita com o show, e sem entender algumas críticas de que eles não seguraram o posto de headline, nem tinham repertório para tal.

 

Terceiro e último dia! Dia de Pearl Jam. Era fácil perceber que a grande maioria dos presentes estavam ali para ver o grunge de Seattle.

Cheguei a tempo de ver todos os grandes hits do Kaiser Chiefs, comandados por um vocalista escalador de palco! Bacana, mas na minha cabeça só tinha lugar para Eddie Vedder aquela noite.

Foi quando fui novamente surpreendida por uma banda que pouco conhecia além do hit Hate To Say I Told You So. O The Hives arrasou!!! Pelle Almqvist carismático até não poder mais, e sem ser forçado, conquistou ali muitos novos fãs, inclusive eu, e fez a banda garantir seu lugar no pódio dos melhores shows do Lollapalooza 2013.

A esperada volta do Planet Hemp com B Negão e Marcelo D2 levantou fumaça no fechamento do palco Butantã, mas nessa altura do campeonato, eu (e Natália que topou a aventura!!!) estava fincada na frente do palco aguardando Mr. Vedder. Ok, até onde era humanamente possível ficar na frente do palco!!!

E lá veio o Pearl Jam. Pela segunda vez eu tinha a oportunidade de ver uma das minhas 3 bandas favoritas se apresentar ao vivo. E novamente foi sonoramente perfeito, emocionante. Mais um show pra entrar pra (minha) história. Acho praticamente impossível o Pearl Jam fazer um show com setlist ruim, mas confesso que os achei bem óbvios dessa vez. Talvez já seria a hora de desapegar de alguns hits do álbum TEN e presentear os grandes fãs com lados B. I Believe in Miracles (Ramones) e Baba o’Riley (The Who) já são tão garantidos nos shows quanto as baladas incríveis Betterman (a minha preferida deles) e Black. Fato é que, cumpriram sua missão de encerrar a noite e a segunda edição do Lollapalooza Brasil. Certeza que mandaram 60mil pessoas bem mais felizes para casa.

 

Então, essa foi uma “breve” impressão minha do festival que, apesar de todas as críticas, já tem lugar na agenda de grandes eventos do país. Há sim muito a melhorar no que se refere à estrutura e organização. Line up nunca agradará à todos, mas não podemos negar que é das melhores oportunidades de ver bandas queridas, e conhecer novas para aumentar nossa biblioteca musical.

O Lollapalooza 2014 já está agendado, e posso dizer que eu e minhas galochas temos grandes chances de estar lá marcando presença novamente. Porque música é bom, e música ao vivo é melhor ainda!!!”

3 comentários em “Crítica: Lollapaloooza 2013 SP

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