Crítica: Los Hermanos – Belo Horizonte – 20/05/2012

É moçada, a hora chegou. Eu diria que foi um dos shows mais esperados do ano, não só na capital de Minas mas em todo o Brasil. Desde o anúncio do show e venda dos ingressos em janeiro/12 não se falava em mais nada, a não ser no countdown para este show que viria a se tornar um grande evento. É claro, eventos de comoção nacional vem sempre regados de muita crítica daqueles que não conseguem olhar além do seu próprio umbigo. Ouvi coisas como “eles não são tão bons assim” como “eles só estão voltando por dinheiro”, assunto que abordei no post Michel Teló, Los Hermanos e a Hipocrisia. Mas isto não importa, vamos falar do que realmente é legal.

Como esperado, após 3 dias de shows com ingressos esgotados (e a pequena capacidade do chevrolet hall), a entrada da casa de shows estava transbordando pessoas de todos os tipos: cults, pseudocults, playboyzinhos, alternativos, fãs histéricos, acompanhantes que não sabiam onde estavam e claro, pessoas que se julgam normais como eu. A entrada não foi legal. Menos uma estrela pela desorganização do Chevrolet Hall (é claro que não é culpa da banda), mas é preciso dar mais atenção a entrada do público em dias de shows lotados: não havia filas montadas corretamente, houve empurra-empurra e falta de paciência do público em colaborar. Foi tão mal organizado que os seguranças não conseguiram checar as meias entradas (porque o volume de pessoas era muito grande) e cheguei a ver até “pivetes” cheirando cola no interior da casa. Lamentável.

Para minha, para sua e para nossa alegria deu pra esquecer tudo isto, porque exatamente as 19h, no final da noite de um domingo frio de Belo Horizonte, os ídolos sobem ao palco para o primeiro acorde de “O Vencedor”. Histeria e comoção geral: vi choros, gritos, muitos pulos e, o que me arrepiou, um coro único de vozes de todas as idades, cantando sem hesitar, sem errar uma letra, sem desafinar uma nota. Havia tempos em que eu não via um público tão apaixonado assim, arrisco dizer que só vi isto no show do Paul McCartney, no Morumbi, em 2010. O quarteto emendou então sucessos de toda a carreira: “Retrato pra Iaiá”, “Todo Carnaval tem Seu Fim”, “Além do Que Se Vê”, a belíssima “O Vento” e a deliciosa “Morena”, umas das poucas do album “4”. Houve tudo para agradar gregos e troianos. O momento para acalmar os corações e embalar os beijos dos casais apaixonados foi guiado por “Sentimental” e “A outra”. Não posso deixar de destacar a maravilhosa “Último Romance”, uma obra prima de Rodrigo Amarante e “Conversas de Botas Batidas”. Bem, eu poderia ficar a noite toda aqui falando das músicas e do meu apreço por elas (sou uma fã confessa e fervorosa), mas nada vai explicar o que aconteceu dentro daquela casa ontem. Para fechar, um bis incrível: a inesperada “Adeus Você”, “Tenha Dó”, “Quem Sabe”, “Anna Júlia” e “Pierrot”, as quatro últimas relembrando o início da carreira, no álbum “Los Hermanos”, onde a batida pop e rock se misturavam de uma maneira inovadora.

E você, caro leitor, deve estar se perguntando porque é que esses barbudos causam tamanho frisson nesta juventude brasileira. Pois eu te respondo sem hesitar: posso dizer que, desde a Legião Urbana, de Renato Russo e sua trupe, ninguém faz letras tão complexas, mas tão próximas de transcrever vários sentimentos humanos. Los Hermanos faz sucesso porque fala de amor com quem entende isto a flor da pele, que são os jovens. Frases como “Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém afim de te acompanhar”ou “quem é mais sentimental que eu?” já passaram na cabeça de todos e são transcritas nas ousadias da dupla Camelo/Amarante. Há algo mais simples e mais verdadeiro do que a frase “Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer”? Os barbudos são sinceramente simpáticos e “complexamente” simples. Como eu disse algumas vezes, é difícil não amá-los (por mais que para alguns seja difícil admitir isto).

Apesar da pouca interação com a platéia (por pouca eu digo verbalmente, porque Amarante estava sempre mostrando suas estranhas dancinhas e se aproximando das grades de proteção) devo dizer que participei de mais um grande evento musical. Ter a oportunidade de cantar tantos sucessos de uma só vez é um presente, muito bem montado, pela trupe barbuda, e isto é show para os fãs: cantar sucessos, lados B e clássicos.

Para mim ficou a lembrança de poder gritar em “Azedume” e “A flor”, e poder chorar em “Um par” e “Casa Pré-Fabricada”, e claro, de compartilhar momento tão esperado ao lado de pessoas amadas. Agora só resta a saudade, e um sonho, de que daqui há 5 anos haja outra turnê de reunião, como esta que os barbudos planejaram para este ano.

Para vocês um gostinho, “Último Romance”, em BH.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: