Homenagem: Vicente Amar

Morreu esta semana um dos grandes compositores brasileiros da era do rádio : Vicente Amar. A Vitrola tem entre seus objetivos preservar a memória da boa música popular mundial,em especial da MPB. Por isto aqui vai nossa homenagem a Vicente Amar:

Vicente Fernando Vieira Ferreira
9/2/1929 Teófilo Ottoni, MG
28/5/2012 Niterói, RJ

Mineiro mas criado na cidade de Niterói, RJ. Concluiu o curso de Direito na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Foi funcionário do departamento musical da Rádio Nacional, onde passou a ter contato com o meio musical. Trabalhou, também, como fiscal de rendas. Teve cerca de 50 músicas gravadas por vários cantores do rádio. Em 1951, conheceu a estrela Emilinha Borba que gravou com sucesso em 1953 sua primeira composição, o bolero “Segue teu destino”, pela Continental. Em 1955, o cantor Blecaute gravou o xote “Agarradinho”, pela Copacabana, uma parceria dos dois e, Francisco Carlos gravou na RCA Victor o tango “Última taça”, parceria com J. Vieira. Em 1956 teve o samba “Time perna de pau” gravado por Fafá Lemos e Seu Conjunto e os sambas “Acorrege a prenúncia” pelo Trio Nagô e “Parece até doença” por Marion, todos na RCA Victor. Em 1957, Ângela Maria gravou “Chegou a escola” pela Copacabana, um samba em parceria com Milton de Oliveira e Rutinaldo.

Na década de 1960, obteve novos sucessos: em 1963, a marcha “Burrinha de mola”, parceria com Haroldo Lobo e Milton de Oliveira; em 1969, “Bangue-bangue no salão”, parceria com Milton de Oliveira, gravada por Paulo Bob e o samba “Time perna-de-pau”, regravado pelo conjunto Demônios da Garoa.

Amar morreu na madrugada desta segunda-feira (28), aos 83 anos,  o compositor estava internado no hospital Procordes havia uma semana por complicações cardíacas.

Obra

  • A vaca malhada (c/ Carequinha, marcha)
  • Acorrege a prenúncia
  • Agarradinho (c/ Blecaute)
  • Bangue-bangue no salão (c/ Milton de Oliveira)
  • Burrinha de mola (c/ Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, marcha)
  • Chegou a escola (c/ Milton de Oliveira e Rutinaldo)
  • Dona Didi (marcha)
  • Parece até doença
  • Segue teu destino
  • Time perna-de-pau
  • Última taça (c/ J. Vieira)

Um dos grandes sucessos do Vicente Amar lembra muito o momento atual de meu time : o Cruzeiro – vejam só:

Crítica: Los Hermanos – Belo Horizonte – 20/05/2012

É moçada, a hora chegou. Eu diria que foi um dos shows mais esperados do ano, não só na capital de Minas mas em todo o Brasil. Desde o anúncio do show e venda dos ingressos em janeiro/12 não se falava em mais nada, a não ser no countdown para este show que viria a se tornar um grande evento. É claro, eventos de comoção nacional vem sempre regados de muita crítica daqueles que não conseguem olhar além do seu próprio umbigo. Ouvi coisas como “eles não são tão bons assim” como “eles só estão voltando por dinheiro”, assunto que abordei no post Michel Teló, Los Hermanos e a Hipocrisia. Mas isto não importa, vamos falar do que realmente é legal.

Como esperado, após 3 dias de shows com ingressos esgotados (e a pequena capacidade do chevrolet hall), a entrada da casa de shows estava transbordando pessoas de todos os tipos: cults, pseudocults, playboyzinhos, alternativos, fãs histéricos, acompanhantes que não sabiam onde estavam e claro, pessoas que se julgam normais como eu. A entrada não foi legal. Menos uma estrela pela desorganização do Chevrolet Hall (é claro que não é culpa da banda), mas é preciso dar mais atenção a entrada do público em dias de shows lotados: não havia filas montadas corretamente, houve empurra-empurra e falta de paciência do público em colaborar. Foi tão mal organizado que os seguranças não conseguiram checar as meias entradas (porque o volume de pessoas era muito grande) e cheguei a ver até “pivetes” cheirando cola no interior da casa. Lamentável.

Para minha, para sua e para nossa alegria deu pra esquecer tudo isto, porque exatamente as 19h, no final da noite de um domingo frio de Belo Horizonte, os ídolos sobem ao palco para o primeiro acorde de “O Vencedor”. Histeria e comoção geral: vi choros, gritos, muitos pulos e, o que me arrepiou, um coro único de vozes de todas as idades, cantando sem hesitar, sem errar uma letra, sem desafinar uma nota. Havia tempos em que eu não via um público tão apaixonado assim, arrisco dizer que só vi isto no show do Paul McCartney, no Morumbi, em 2010. O quarteto emendou então sucessos de toda a carreira: “Retrato pra Iaiá”, “Todo Carnaval tem Seu Fim”, “Além do Que Se Vê”, a belíssima “O Vento” e a deliciosa “Morena”, umas das poucas do album “4”. Houve tudo para agradar gregos e troianos. O momento para acalmar os corações e embalar os beijos dos casais apaixonados foi guiado por “Sentimental” e “A outra”. Não posso deixar de destacar a maravilhosa “Último Romance”, uma obra prima de Rodrigo Amarante e “Conversas de Botas Batidas”. Bem, eu poderia ficar a noite toda aqui falando das músicas e do meu apreço por elas (sou uma fã confessa e fervorosa), mas nada vai explicar o que aconteceu dentro daquela casa ontem. Para fechar, um bis incrível: a inesperada “Adeus Você”, “Tenha Dó”, “Quem Sabe”, “Anna Júlia” e “Pierrot”, as quatro últimas relembrando o início da carreira, no álbum “Los Hermanos”, onde a batida pop e rock se misturavam de uma maneira inovadora.

E você, caro leitor, deve estar se perguntando porque é que esses barbudos causam tamanho frisson nesta juventude brasileira. Pois eu te respondo sem hesitar: posso dizer que, desde a Legião Urbana, de Renato Russo e sua trupe, ninguém faz letras tão complexas, mas tão próximas de transcrever vários sentimentos humanos. Los Hermanos faz sucesso porque fala de amor com quem entende isto a flor da pele, que são os jovens. Frases como “Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém afim de te acompanhar”ou “quem é mais sentimental que eu?” já passaram na cabeça de todos e são transcritas nas ousadias da dupla Camelo/Amarante. Há algo mais simples e mais verdadeiro do que a frase “Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer”? Os barbudos são sinceramente simpáticos e “complexamente” simples. Como eu disse algumas vezes, é difícil não amá-los (por mais que para alguns seja difícil admitir isto).

Apesar da pouca interação com a platéia (por pouca eu digo verbalmente, porque Amarante estava sempre mostrando suas estranhas dancinhas e se aproximando das grades de proteção) devo dizer que participei de mais um grande evento musical. Ter a oportunidade de cantar tantos sucessos de uma só vez é um presente, muito bem montado, pela trupe barbuda, e isto é show para os fãs: cantar sucessos, lados B e clássicos.

Para mim ficou a lembrança de poder gritar em “Azedume” e “A flor”, e poder chorar em “Um par” e “Casa Pré-Fabricada”, e claro, de compartilhar momento tão esperado ao lado de pessoas amadas. Agora só resta a saudade, e um sonho, de que daqui há 5 anos haja outra turnê de reunião, como esta que os barbudos planejaram para este ano.

Para vocês um gostinho, “Último Romance”, em BH.

Linha do Tempo: Manoel Pedro dos Santos , o Bahiano

Aproveitando a correção de uma falha nossa, que havíamos publicado uma foto do Bahiano como se fosse o Xisto Bahia, vamos dar mais uma puxada na linha do tempo:

Manuel Pedro dos Santos, o Bahiano

(Santo Amaro, 5 de dezembro de 1887 — Rio de Janeiro, 15 de julho de 1944)

Cantor e compositor brasileiro Nascido em 5 de dezembro de 1887, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Manuel Pedro dos Santos, que viveria no Rio de Janeiro até sua morte em 15 de julho de 1944, ganhou fama ao se tornar cançonetista com o apelido de Bahiano. Especializado em modinhas e lundus, que cantava acompanhando-se ao violão, teve a chance de se tornar conhecido e ganhar lugar definitivo na história da música popular brasileira e do samba em particular, ao gravar para a Casa Edison o considerado primeiro samba levado ao disco, o Pelo Telefone, em 1917.

Não fora a introdução do fonógrafo no Brasil, talvez a carreira de um dos mais celebrados intérpretes da música popular brasileira tivesse se perdido. Mas foi o fonógrafo o responsável por ser possível avaliar a obra do cantor Bahiano, logo após a implantação do aparelho no Brasil. Quando em 1903 Fred Figner, o proprietário da Casa Edison, fez editar o primeiro catálogo comercial de discos de sua fábrica, quem encabeçava a lista das primeiras 73 gravações era exatamente Bahiano, por ele contratado – junto com Cadete, outro intérprete popular – para ser o primeiro a gravar comercialmente no Brasil

Primeiro cantor a se profissionalizar no Brasil, gravou também o primeiro disco, que substituiu os cilindros gravados, como de hábito na época, em apenas uma das faces. Esse registro foi feito com o lundu de Xisto Bahia, Isto é bom, no selo Zon-O-Phone n° 10.001,  a primeira gravação em disco no Brasil (1902).

Fez sucesso até meados dos anos 20, gravando composições consideradas clássicas entre as centenas de sua discografia. A modinha Perdão Emília, de Eduardo das Neves, o tango de Arthur Azevedo, As Laranjas da Sabina, e a toada Caboca de Caxangá, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, são exemplos.
No final da carreira grava Quem Eu Sou, lamentoso e autobiográfico: “Quem eu sou? / Um baiano atirado / Nessas vagas soberbas do mar / Já sem leme, bem perto da rocha / Desse abismo que vai me tragar” – e fecha com uma fala inesperada: “Canto há tantos anos e nunca arranjei nada. Finalmente, consegui um empregozinho nesta casa, com o que vou vivendo, graças a Deus”.

bahiano 03

O Echo Phonographico de São Paulo, homenageava em 1904 o cantor Bahiano. Com ele nascia a profissão de cantor.

Como cançonetista, participou do Teatrinho do Passeio Público e no Circo Spinelli. Na década (1910-1920), chegou a figurar em pequenos filmes, tais como O cometa, A seresta caipora, Serrana, entre outros. Morreu no Rio de Janeiro e entre outros grandes sucessos populares seus como intérprete foram Caboca di Caxangá (1913), A baratinha (1917), Dança do urubu (1917), Quem são eles? (1918), Já te digo (1919) e Tatu subiu no pau (1923).

(texto de Cifra Antiga)

Os Favoritos dos Sousa: Lafayette

 

Lafayette Coelho Varges Limp
11/3/1943 Rio de Janeiro, RJ

 

Lafayette nasceu em março de 1943 e aos cinco anos iniciou seu aprendizado musical no Conservatório Nacional de Música, no Rio de Janeiro.Integrante da célebre turma da Matoso, da Tijuca, composta por jovens que depontariam no cenário da música popular brasileira marcando especialmente os anos 1960/70, como Wilson Simonal, Roberto e Erasmo Carlos, Jorge Bem e Tim Maia.
Em 1958, formou com alguns amigos o conjunto “Blue Jeans Rock”, no qual participava como pianista. Porém, só obteria sucesso na década seguinte, quando integrou o conjunto “Sambrasa”, já como organista. Com arranjos de sua autoria para sucessos do rock, o grupo obteve sucesso chegando a acompanhar , Jerry Adriani, Wanderléa, Roberto e Erasmo Carlos,no auge da Jovem Guarda, com quem gravou “Terror dos Namorados”.
Em 1966, gravou “Lafayette apresenta os sucessos”, o primeiro de mais de 30 LPs pela CBS, na qual ficaria até 1980. Seus discos apresentavam versões instrumentais arranjadas por ele para sucessos da época, incluindo trilhas sonoras de filme. Devido à boa vendagem dos seus LPs, recebeu da gravadora um disco de ouro e foi agraciado com o Troféu Chico Viola. . Apontado como o organista oficial da Jovem Guarda por muitos que afirmam que a sonoridade daquele movimento não seria a mesma sem Laffayette e seu órgão Hammond B-3, que pode ser ouvido nos discos do Rei dos anos 1960, com destaque, entre outros, para “Quero que vá tudo pro inferno” e “Não quero ver você triste assim”, participou de discos importantes de vários nomes da Jovem Guarda, além do trio Roberto Eraasmo e Wanderléa, como Trio Esperança, Golden Boys e Renato e seus Blue Caps.

Em 2004, aos 62 anos, tocando em bailes e restaurantes de Niterói foi resgatado pelos jovens músicos do grupo “Os Tremendões” que o encontraram tocando forró em um shopping da Zona Norte do Rio. Admiradores da música dos anos 60 em geral, convidaram-no para tocar com eles, surgindo assim o grupo Lafayette e os Tremendões, que tem Melvin no baixo e Marcelo Callado na bateria. O grupo estreou no Teatro Odisséia, na Lapa, em dezembro de 2004. Em 2005, em comemoração aos 40 anos da Jovem Guarda, o grupo apresentou temporada de shows também no Teatro Odisséia, em que receberam convidados como Leoni e a roqueira mexicana Julieta Venegas. Nesse ano, fizeram diversos shows em locais variados, adotando o nome de Lafayette e os Tremendões. Em fevereiro de 2007, às vésperas do carnaval, encerrou, com Os Tremendões, temporada na casa de shows Estrela da Lapa, no Rio de Janeiro, após encher a casa por diversas quintas-feiras. Sem deixar o rock moderno de lado, interpretaram hits da Jovem Guarda como “As curvas da estrada de Santos”, “Splsh splash”, “Garota papo firme” e a inédita “O pão duro” de Getúlio Cortes.  (Dicionário Cravo Alvim)

DISCOGRAFIA:
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS (1965) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA DINA LÚCIA (1965) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. II (1966) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. IV (1967) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. III (1967) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. VI (1968) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. V (1968) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. VIII (1969) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. VII (1969) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. X (1970) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. IX (1970) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XII (1971) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XI (1971) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XIV (1972) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XIII (1972) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XVI (1973) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XV (1973) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XVIII (1974) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XVII (1974) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XIX (1975) • Vinill
  • LAFAYETTE (1976) • Vinil
  • LAFAYETTE APRESENTA OS SUCESSOS – VOL. XX (1977) • Vinil
  • LAFAYETTE (1977) • CD/Vinil
  • LAFAYETTE INTERPRETA ROBERTO CARLOS (1978) • Vinil
  • LAFAYETTE (1980) • Vinil
  • SOL DE VERÃO (1982) • Vinil
  • LAFAYETTE E OS GRANDES SUCESSOS (1983) • Vinil
  • LAFAYETTE (1986) • Vinil
  • SERTANEJO FEITO PARA DANÇAR (1989) • Vinil
 

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