Memória: Geraldão da Radio Cultura (AM) e O movimento Soul em Belo Horizonte

Os trechos deste post são retirados da tese: “IDENTIDADE E RESISTÊNCIA NO URBANO: O QUARTEIRÃO DO SOUL EM BELO HORIZONTE” de Rita Aparecida da Conceição Ribeiro, apresentada Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Departamento de Geografia daUniversidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Geografia.(2008) . Acesso em 20/01/2012.

Um pedacinho da história musical de BH e do Geraldão, que o Vitrola traz , especialmente para a turma aqui de BH. Vale a pena ler a tese – o link está acima. Lembre só:

” Assim como no Rio de Janeiro, o movimento soul começa em Belo Horizonte a partir da influência do rádio, no caso da rádio Cultura AM. E, assim como o Big Boy foi o radialista que trouxe a linguagem jovem para o rádio no Rio, em Belo Horizonte,essa transição foi encabeçada pelo radialista Geraldo Ferreira de Souza, o Geraldão.”

 

 

“O formato das rádios, assim como das primeiras emissoras de TV em Belo Horizonte seguiam o modelo mais formal. A mudança do cenário acontece com a entrada da programação segmentada, A cultura e o acesso às discussões ligadas à música, ao teatro, à filosofia,foram determinantes na influência da programação musical que se institui na CulturaAM, bem como a constituição de um novo mercado consumidor – os jovens. Muito distantes da elite que freqüentava os clubes da zona sul, os primeiros bailes soul acontecem primeiro, timidamente nas casas da periferia de Belo Horizonte, embalados pelos Ritmos da Noite , da Cultura AM:

“A influência da Cultura AM no conhecimento da soul music é ratificada por Raimundo Luzia Ventura, o DJ Tatu, responsável pela mais famosa equipe de som
da época, a Som James, que explica a sua influência:
A equipe Som James, se chamava assim porque a gente gostava do James Brown. Na época tinha a Rádio Cultura, era ali no Dom Cabral. Então tinha o Geraldão locutor, a gente conseguia alguns discos com ele, era vinil, agente gostava muito, gostávamos de soul e rock. Conhecemos através daRádio Cultura, que foi uma influência para a geração toda da época. (DJTatu, 20 nov. 2007).

 

Dos arredores da cidade, os bailes encontraram no Centro de Belo Horizonte o local ideal para o encontro dos blacks, que vinham dos pontos mais distantes dacidade. O centro era ideal, pois não havia necessidade de mais de uma condução e todos os ônibus circulavam por lá. O mais conhecido, considerado por todos osenvolvidos no movimento como o principal baile era o Máscara Negra, localizado no primeiro andar de um prédio na Rua Curitiba, 482. Sua origem foi um baile de carnaval. Depois de Doraci, o baile passou a ser administrado pela equipe que passou a se chamar Som James. O nome advém do gosto do dono Tatu, pela música de
James Brown.

“Outro baile que concorria em freqüência com o Máscara Negra era o da União Síria, que se localizava na Av. Augusto de Lima, 1269, no Barro Preto, próximo ao Centro, nos mesmos moldes. Durante a semana, os freqüentadores dos bailes black se reuniam em dois pontos de encontro na cidade: a Galeria Ouvidor, na segundafeirapara conversar e na Feira Hippie, às quintas-feiras, localizada na época naPraça da Liberdade, para dançar.”

 

“Diversos bailes aconteciam no entorno do centro, principalmente nos bairros Carlos Prates (Tremedal, Asteka, Orion, Esparta), no bairro Renascença, em diversos outros bairros. O advento dos bailes possibilitou a criação também de diversas equipes de som e de grupos de dança. Entre eles Mister Sam Jazz, África Soul, Sonimegion, Ali Babáticos, Stéreo Gladson, Soul Grand Funk, Stéreo Record Som, BlackMinas, Renegados do Funk, Jazz Summer, Woodstock, Brother Soul eBH Soul. No entanto, a força maior dos bailes, que são citados por todos os entrevistados, residia nos bailes do Máscara Negra e da União Síria, ambos na área central da cidade. Por serem tão freqüentados, eram também freqüentemente alvo de batidas da polícia.”

“A repressão policial era uma constante nos bailes, sempre exigindo dos freqüentadores documentos comprobatórios da condição de trabalhador, não apenas carteira de identidade. A maioria dos blacks não possuía carteira de trabalho assinada, pois grande parte trabalhava no mercado informal como camelôs,pedreiros, etc. E isso acarretava um grande número de detenções.”

O Estádio do Atlético nos anos 1970

“A repressão policial e a discriminação, até então sentida somente pelos freqüentadores dos bailes ficou registrada no evento Black Christmas, promovido por Geraldão e a Rádio Cultura, no campo do Atlético, em Lourdes, que se viram intimidados, mesmo contando com patrocínios de peso, como a Coca-Cola. O declínio dos bailes black no Centro de Belo Horizonte pode ser creditado, principalmente, à repressão policial.

3 comentários em “Memória: Geraldão da Radio Cultura (AM) e O movimento Soul em Belo Horizonte

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  1. Orgulho do DJ Tatu! Meu pai, exemplo de homem.
    Me recordo como se fosse ontem, do meu pai passando o som para o baile. Dos encontros com a Equipe do Som James para assistir aos shows de James Brown.
    Pra sempre em minha memória!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Quantas saudades
    Eu era menor na época e ia dançar com meus irmãos e minhas irmãs
    Ainda hoje 2015 quando passo nestes lugares um aperto no coração min diz que tive muita sorte de ter conhecido esta época maravilhosa

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  3. Acho que poderia criar um evento e tentar reunir toda a turma daquela época que comandava os bailes. Me recordo de alguns nomes, pois na época era muito criança… Além do meu pai, o Raimundo Tatu, tinha também o Marcão, Dodô, Doria….
    Seria muito bacana colocar esta turma para tocar novamente!

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